Regional

Motorista de Jaú vai a júri popular

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Jaú - O juiz substituto da 1.ª Vara Criminal de Jaú (47 quilômetros de Bauru) acatou o pedido do Ministério Público (MP) do Estado de São Paulo e pronunciou a engenheira Walterez Regina Macacari, 51 anos, por duplo homicídio doloso e lesões corporais dolosas por quatro vezes.

A decisão, após transitada em juízo, é sinônimo de júri popular. Se mantida em todas as instâncias, a engenheira poderá ser presa, já que a condenação por homicídio doloso prevê pena de reclusão.

O advogado de defesa da engenheira, Faiz Massad, promete recorrer e não quis comentar o assunto na manhã de ontem. “Vou recorrer ao Tribunal de Justiça de São Paulo.”

Walterez foi denunciada pela Promotoria em julho deste ano. A engenheira é acusada de atropelar seis pessoas, todas idosas, que saíam de uma missa, em abril de 2007.

O acidente aconteceu no cruzamento das ruas Major Prado e Riachuelo, na área central da cidade. Duas vítimas morreram e as demais sofreram ferimentos graves.

Na denúncia, o promotor público Celso Élio Vannuzini entendeu que a acusada não teve a intenção de matar as vítimas, porém assumiu o risco de produzir o resultado morte quando tentou fugir do local onde havia colidido com um Fusca e trafegou na contramão de direção pela rua Riachuelo.

O acidente foi classificado como dolo eventual, fato acolhido pelo juiz substituto Camilo Resegue Neto.

O juiz não decretou a prisão preventiva da acusada por entender que ela é ré primária. Portanto, a engenheira responderá pelas acusações em liberdade.

Não há previsão de por quantos anos o processo poderá se arrastar, uma vez que, além do TJ, há outra instância a recorrer, dependendo da decisão do Tribunal.

A questão do uso de celular e a velocidade imprimida no momento do acidente não foram focadas pelo juiz. “Em casos assim, o juiz togado não tem competência para julgar se ela é culpada ou não. Isso fica para o júri popular, caso o TJ mantenha a decisão. Não era cabível uma apreciação mais aprofundada.”

O crime de homicídio doloso prevê pena de seis a 20 anos de reclusão.

Em tese, somente o duplo homicídio, com condenação mínima, renderia 12 de anos de prisão.

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Como foi

Jaú - O acidente de trânsito que chocou a população de Jaú e tirou a vida de duas pessoas e deixou quatro com ferimentos graves aconteceu no dia 3 de abril do ano passado, por volta das 17h, no centro comercial da cidade, mais precisamente no cruzamento das ruas Major Prado com Riachuelo, próximo à igreja matriz, onde normalmente há grande movimentação de veículos e pessoas.

A engenheira Walterez Macacari, 51 anos, dirigia uma picape Mitsubishi pela rua Major Prado quando bateu contra a traseira de um Fusca que manobrava para estacionar. Com o impacto, a picape derivou para a esquerda, seguindo em frente e atropelando Elizabeth Braga Rocchi e Maria do Amaral Braga, duas irmãs, que saíam da missa.

A motorista não parou e seguiu na contramão de direção pela rua Riachuelo, quando atropelou Valdete Ometto Ciamariconi, 65 anos, e, na seqüência, Adelmo Pataro, 77 anos, Iracy Pataro, 77 anos (mulher de Adelmo), e Maria Terezinha Tirolo, 53 anos. Adelmo Pataro morreu no hospital e Valdete Ciamaricone no local. As demais vítimas sofreram lesões graves.

Mesmo depois dos atropelamentos, a condutora prosseguiu na trajetória e colidiu com uma árvore, bateu contra um Voyage estacionado, que foi jogado contra um Gol que também estava parado, atravessou a rua Riachuelo, bateu em um Corsa e finalmente parou quando bateu na parede de uma residência.

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