O presidente da Rede Record, Alexandre Raposo, esteve em Bauru, ontem, para a inauguração do novo complexo administrativo da emissora local e o anúncio do crescimento de sua área de cobertura, que agora chega às regiões de Itapetininga e Sorocaba. Em entrevista ao JC Cultura, ele analisou as conquistas da emissora, que se mantém no segundo lugar da audiência, e falou de novos projetos.
Para Raposo, a ampliação, anunciada ontem, significa uma confiança maior na região da Record Bauru. “Acreditamos que essa região é uma exportadora de qualidade, alguns nomes importantes do jornalismo saíram daqui. E é uma área muito importante economicamente. Ampliamos a cobertura da TV Bauru justamente pensando na divulgação da cultura regional”, comenta.
A cobertura da TV vai chegar a quase 70 novos municípios, o que significa um crescimento em cerca de 100%, em termos de habitantes. “Isso significa levar informação a um número maior de pessoas. A TV passa a ter uma importância maior na informação. E vamos nos envolver muito mais, queremos apoiar eventos esportivos, culturais, musicais, trazer um pouco mais dessa cultura aqui para Bauru e levar de Bauru para o Brasil e para nossa rede internacional, para mais de 130 países”, frisa o presidente da rede.
Um dos caminhos da ampliação, segundo Raposo, será a oportunidade a novos jornalistas e profissionais. “Nossa idéia é trabalhar com núcleo de estagiários para descobrir novos talentos. Dizem que é bom ter grandes experts, mas se alguém não der oportunidade, as pessoas nunca vão chegar lá e os talentos se perderão. Queremos dar oportunidade maior para pessoas que estão para se formar e treinar esses novos profissionais que serão o futuro da TV”, afirma.
A grade de programas regionais também deve crescer nos próximos anos. Para Raposo, o mais importante é descobrir o que o espectador do Interior paulista deseja. “Pedimos para o diretor executivo desenvolver um trabalho de pesquisa, entender a necessidade das pessoas. Não queremos fazer uma grade da nossa cabeça. O segredo da Record para chegar ao segundo lugar, rumo à liderança, e ser essa TV de primeira que nós montamos, foi ouvir as pessoas. Investimos muito em pesquisa e as pessoas nos deram o norte que deveríamos seguir”, conta.
Destaques
No “caminho à liderança”, Raposo afirma que a Record se destacou, primeiramente, em razão do jornalismo. “Hoje, a Record tem a maior grade jornalística da TV brasileira. Depois, vem o ‘Hoje em Dia’, que não deixa de ser jornalismo, porque é uma revista com jornalismo muito forte. E as novelas, que fidelizaram o espectador”, elenca.
“Fico feliz quando digo que a Record deu oportunidade para um mercado que estava sofrendo, porque só tinha um lugar para trabalhar e não tinha lugar para todos. Víamos atores que apareciam a cada dois ou três anos, ou só fazendo pontas em programas, ou desempregados”, diz Raposo.
“A Record vem e dá uma oportunidade, produz e dá espaço para quem é experimentado e para os novos. Nas novelas, o que de mais importante aconteceu foi essa abertura, geração de emprego, oportunidade para os nossos atores que não tinham onde trabalhar. O público apoiou, confiou no nosso projeto e as nossas novelas, a cada dia, crescem mais na audiência”, completa.
Para o presidente da Record, um diferencial das produções foi a equiparação da qualidade de áudio e vídeo a um padrão internacional. “Só tínhamos uma emissora no Brasil que era detentora dessa capacidade. A Record se demonstrou competente, trabalhou com muita obstinação. Os profissionais que contratamos e aqueles que já trabalhavam conosco realizaram esse trabalho”.
A emissora pretende criar uma nova linha de dramaturgia, que deve ser apresentada ao público até o final do ano, com programas especiais, para entrarem na grade fixa em 2009. Raposo destaca “Louca Família”, programa de humor que deverá ser comandado por Tom Cavalcante, e um “spin-off” (uma série derivada) da novela “Vidas Opostas”.
“A idéia do Marcílio Dias, que é um grande autor, é situar um pouco antes da trama na novela, um pouco antes do Jackson, da realidade da favela, do Rio, com aquele contraste, tão lindo e tão violento. Vamos testar no final do ano. É um caminho interessante, e deve ocupar mais espaço na nossa grade nos próximos anos. A Record pode testar um produto, ver se o público aprova, mas ele já foi oriundo de pesquisas. A probabilidade de dar errado é remota e você chega exatamente naquilo que o espectador quer. É uma TV compartilhada com o público”, elogia.
O presidente da rede elogia o desempenho dos debates com candidatos a prefeito, realizados no Estado todo no último domingo. Ele destaca a boa audiência e a repercussão nos principais jornais.
“Percebemos que Bauru não está como deveria. Ela poderia estar melhor. É muito importante debater a cidade, o munícipe ter a oportunidade de ouvir o candidato e analisar para votar melhor é muito importante. O papel do veículo de comunicação social é esse: dar a oportunidade das pessoas analisarem os fatos, e não induzi-las a pensar como o veículo pensa”, finaliza.