O Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP) crescerá em ritmo menor em 2009 em comparação aos índices dos últimos anos. A previsão é do novo presidente da entidade Sérgio Tiaki Watanabe diante da crise econômica americana que começa também a causar reflexos no Brasil. Recém-empossado, ele esteve ontem em Bauru onde visitou autoridades, além de coordenar o 1.º Encontro Empresarial – Etapa Bauru, onde apresentou as ações do órgão e a expectativa para os próximos três anos, tempo de duração de seu mandato.
Watanabe se mostrou receoso ao falar das expectativas do setor da construção civil para o ano que vem por causa da crise americana. “Crescemos (o setor da construção civil) 10% de 2007 para 2008. Para 2009, a projeção era de crescimento de 9%”, salienta. Mas diante do atual cenário, a previsão é de crescimento de 5%. “Não há como o País não sentir uma crise dessa magnitude e não temos como desvincular o sindicato da economia”, afirmou.
Watanabe projeta que a recessão americana dificultará a obtenção de financiamento, o que deve resultar no aumento da taxa de juros e a seletividade do crédito. Empresas do setor que recentemente abriram capital foram, em sua análise, as mais afetadas. “No primeiro momento, elas compraram terrenos e lançaram ações no mercado. Porém, este ano o mercado de capitais secou em função de dificuldades do sub-prime (títulos de segunda linha americana/imobiliários)”, analisa.
Mas, por enquanto, Watanabe pondera que a taxa de juros não sofreu alteração. “Primeiro vão avaliar os efeitos da crise mundial. Acho que o Brasil já tem juros muito altos. Não são juros de economia estabilizada”, opina.
A situação vivida pelo mercado americano não terá reflexo imediato e direto em Bauru e região na avaliação de Ralph Ribeiro Júnior, diretor regional do SindusCon em Bauru. “Ainda não sentimos, até porque está no começo. Os empreendimentos em andamento não serão afetados”, explica.
Ele ponderou que a construção civil não depende de insumos do Exterior, mas sim de poupança interna e crédito. “Não é uma indústria que possui matriz dependente de importação”, enfatiza , frisando que o setor sofre com a falta de insumos, principalmente cimento, por conta do aquecimento na construção civil.
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Falta de mão-de-obra
Além da recessão americana e da escassez de cimento no mercado interno, outro assunto que tira o sono dos empresários da construção civil é a falta de mão-de-obra qualificada para abastecer o mercado. Com inauguração prevista para breve, a Escola da Construção do Serviço Nacional da Indústria (Senai) em Bauru já possui cursos de qualificação em andamento. “É a primeira Escola de Construção Civil do Interior do Brasil”, afirma o diretor regional do SindusCon em Bauru, Ralph Ribeiro Júnior.
Até o final do ano, serão oferecidos cursos de aproximadamente 150 horas para a formação de profissionais como pedreiro, encanador e eletricista, entre outros. “Temos obras andando em ritmo menor, perdendo produtividade”, destaca. “A atualização é necessária para 100% dos profissionais envolvidos em uma obra, passando do servente ao pedreiro”, conclui. O governo federal, através do programa Bolsa Família, irá cadastrar interessados em realizar cursos na área através de critérios como, por exemplo, faixa de renda.