A greve dos bancários em Bauru continua, mas no restante do Estado de São Paulo, não. Enquanto a Central Única dos Trabalhadores (CUT) informou que vai aguardar nova proposta patronal para o dia 8 e só então avaliar se retomará o movimento, o Sindicato dos Bancários de Bauru, que é ligado à Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas), decidiu manter a paralisação, que entra hoje no seu terceiro dia.
De acordo com o Sindicato dos Bancários, a greve por reajuste salarial também segue no Rio de Janeiro, Bahia, Maranhão, Rio Grande do Norte, Tocantins, Rio Grande do Sul, Roraima e Distrito Federal. Em Bauru, a discórdia das centrais sindicais ontem foram as agências da Nossa Caixa.
Os funcionários do banco estadual voltaram ao trabalho pois a direção do sindicato em São Paulo, ligada à CUT, suspendeu o movimento. “A CUT abandonou a campanha salarial”, acusou Marcos Lenharo, da Conlutas.
Ligado à CUT, Tadeu Aparecido Barbosa, outro diretor do Sindicato dos Bancários de Bauru, afirmou que a suspensão da greve na Nossa Caixa seguiu orientação do comando nacional do sindicato, de paralisar as atividades por apenas 24 horas. “Não há isolamento, houve uma assembléia e venceu a maioria”, afirmou. As agências da Nossa Caixa de Bauru abriram normalmente ontem.
No final da tarde de ontem, em uma nova assembléia dos trabalhadores realizada na sede do sindicato, os bancários votaram pela continuação da paralisação. Apesar da greve que, segundo o sindicato, atinge cerca de 50% das 52 agências bancárias de Bauru, ontem pela manhã o movimento nos terminais de auto-atendimento não era muito acima do normal, exceção feita à agência da Caixa Econômica Federal (CEF) na rua Gustavo Maciel. Nesta agência, clientes com mais urgência em serem atendidos eram orientados por diretores do Sindicato dos Bancários a se deslocarem aos postos que estavam funcionando.
Apesar de estar no segundo dia, a greve pegou alguns clientes de surpresa. Várias pessoas iam às agências para fazer pagamentos direto no caixa, desistiam ou tentavam os terminais de auto- atendimento. Alguns clientes até se manifestaram favoráveis ao movimento, dizendo que era a única solução viável para conseguir alguma coisa dos banqueiros.
Dois aposentados que conversavam em frente a uma agência bancária no Centro afirmaram que a greve era legítima, apesar de causar alguns transtornos para a população. “Mas se não fizer desse jeito, não se consegue nada”, afirmou um dos aposentados, que preferiu não se identificar.
O vendedor autônomo Edison Pereira de Oliveira concordou que a greve dos bancários é legítima. Para Oliveira, a paralisação não atrapalha a população e os bancários deveriam ser mais rigorosos ainda, impedindo o acesso aos caixas eletrônicos. “Acho que deveria fechar tudo e deixar rolar até eles resolverem. Porque dinheiro essa gente tem”, disse.
Em frente a uma agência do Itaú, diretores do sindicato chegaram a bater-boca com cinegrafista de uma emissora de TV local. O profissional fora até a agência para fazer a cobertura da greve e questionar as pessoas sobre as conseqüências do movimento para elas. No entanto, os diretores afirmaram que ele estava tentando insuflar a população contra os grevistas.
O estopim da discussão teria sido uma senhora que teve o cartão roubado quando usava o caixa eletrônico. Para os diretores do sindicato, o cinegrafista estava tentando ligar o roubo ao fato da agência estar em greve.
A filha da senhora que teve o cartão levado se manifestou dizendo que os responsáveis não foram os grevistas, mas a falta de segurança que impera em todo o País. “Eles estão certos, porque esse pessoal está ganhando dinheiro e não oferece o mínimo de segurança para a gente”, declarou, sob os aplausos dos sindicalistas. Ela e a mãe foram conduzidas ao interior da agência para que fossem feitos os bloqueios necessários na conta.
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Reivindicações
A greve começou após os bancos oferecerem aos trabalhadores um reajuste de 7,5% nos salários, bem abaixo dos 31% reivindicados pela categoria. Os bancários também cobram a contratação de mais funcionários, já que o déficit de mão-de-obra é apontado como o maior causador de filas nas agências.
Na semana passada, a categoria recebeu proposta de reajuste salarial de 7,5% da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). O índice incidiria sobre benefícios como tíquete e cesta alimentação, além de participação nos lucros equivalente a 80% do salário do funcionário, acrescida do valor fixo de R$ 943,00, porém limitado a salários de aproximadamente R$ 2.500,00. Mas a categoria reivindica participação linear nos lucros, sem limite de salários, e gratificação de R$ 3.500,00.