Pesca & Lazer

História de pescador: Samburá pescador


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Há coisas que acontecem em uma pescaria que até parecem mentira, mas esta é pura verdade de pescador. Outro dia fomos pescar no rio Batalha, na cidade de Reginópolis e como de costume foi toda a equipe: eu, o Polastri, o Herrera (Nenê) e o William. Chegamos bem cedinho para assegurar o nosso ponto especial, o “poção do garrote”, onde o rio faz uma curva larga e tem peixes de montão.

Chegando lá, arrumamos a churrasqueira, os materiais e as tralhas, cada um foi para o seu canto tentar a sorte - sempre há uma disputa no final da tarde sobre quem é o “rei do tambiú”. Quem pegou mais fica com o troféu até a próxima pescaria.

Cheguei em meu ponto preferido, coloquei meu samburá no rio e comecei a pescar. Não percebi que tinha esquecido minha ceva dentro do samburá, mais ou menos 1,5 quilo de quirela, que ficou no fundo dele. Com duas horas de pescaria já tinha fisgado cerca de 36 grandes tambiús. De repente, o samburá, que não estava bem amarrado, escapou e desceu rio abaixo, desaparecendo nas águas do rio com os peixes e a ceva.

Fiquei muito desapontado, naquele dia não ganharia mais o troféu. Fomos almoçar, todos tinham pegado razoavelmente bem. Após o almoço, voltamos a pescar, fui ao meu local preferido e continuei pescando. De tardezinha voltamos à churrasqueira para arrumar a tralha e partir. Estava em último lugar na contagem dos peixes.

Fui dar uma volta rio abaixo e, de repente, vi uma moita de ingazeiro que afundava e subia de maneira estranha. Chegando lá vi a cordinha de meu samburá que estava afundado. Com muito custo consegui segurar a cordinha e comecei a puxá-lo. Estava difícil retirá-lo do rio, parecia estar enroscado, mas com muito esforço foi saindo devagarinho. Quando vi, não acreditei, estava repleto de tambiús que entraram nele para comer a ceva. Na boca do samburá, que era menor, tinha uma piapara de uns 3 quilos enroscada, ela não saia e nem entrava mais, e os tambiús também não podiam sair.

Quando cheguei ao local, vi meu amigo William erguendo o troféu, deixei-o comemorar alguns instantes, depois mostrei meu “Samburá pescador”. Na contagem, final, sem nenhuma dúvida, fui o grande vencedor, mas não contei como tinha pegado aqueles 8 quilos de tambiús e a grande piapara. Fiquei com o troféu por vários meses.

Sempre que voltamos lá, lembro-me do fato ocorrido e amarro o samburá bem levemente, com a ceva dentro para ver se a sorte se repete mais uma vez.

Marcos Aparecido Guerreiro é pescador e contador de histórias.

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