Política

Candidatos preferem farpas e defeitos

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 5 min

Trocas de farpas, questionamentos agressivos, despreparo de alguns candidatos para debater algumas perguntas, repetição de frases de efeito e promessas populistas. Estes foram os principais comportamentos que demarcaram o último debate eleitoral entre os seis candidatos que se inscreveram para serem escolhidos, no próximo domingo, para comandar a Prefeitura de Bauru pelos próximos quatro anos.

O encontro organizado pela TV TEM privilegiou o embate direto entre os concorrentes e garantiu, em dois blocos, a discussão de temas que interessam à população, como infra-estrutura, educação, saúde e transportes.

Na direção da possibilidade de confronto em eventual segundo turno, Rodrigo Agostinho (PMDB) e Caio Coube (PSDB) protagonizaram as principais provocações políticas e críticas, ainda que através de comentários pelos demais adversários. Aliás, a disputa que tem persistido nas intenções de voto ao longo da campanha nesta fase se fez valer logo na abertura do debate. Rodrigo Agostinho (PMDB) voltou a perguntar a Caio Coube (PSDB) sobre privatizar ou não o Departamento de Água e Esgoto (DAE). O tucano repetiu que a autarquia fica como está.

Logo em sua primeira intervenção, Caio finalmente saiu da posição não-reativa adotada nos outros debates e utilizou Clodoaldo Gazzetta (PV) para alfinetar a candidatura do peemedebista. Ele lembrou que o vice-prefeito, Renato Purini, do PMDB, tentou privatizar a coleta de lixo.

Pela primeira vez, o tucano buscou dividir o tema privatização com o adversário. A questão é Gazzetta respondeu a Caio que o PMDB realmente tentou privatizar o lixo em Bauru, mas o partido também atuou na concessão das ferrovias. Ocorre que isso se deu em nível federal e no governo tucano de Fernando Henrique Cardoso. Ao replicar José Leme (PHS), Gazzetta também falou do abandono da Rede Ferroviária Federal (RFFSA), mas sem deixar claro, em seu tempo de comentário, se estava com isso criticando os tucanos ou o governo Lula (PT), este que, por sua vez, apóia Rodrigo, mas também não resolveu o sucateamento do parque ferroviário local nos últimos anos.

Rosa Izzo (PDT) aproveitou todas as chances que teve no debate da TV TEM para lembrar de obras do marido e ex-prefeito, mas foi confusa ao perguntar a Rodrigo se este concorda ou não com “taxa como a da iluminação”. A despeito da iluminação não ser cobrada como taxa, mas como contribuição, Agostinho esquivou-se dizendo que a população não consegue ver onde os recursos são aplicados e, também fugindo da questão, aproveitou para prometer que vai buscar verbas em Brasília (DF) para reduzir o custo do tratamento de esgoto, hoje pago só por fundo municipal (FTE).

Tiroteio cruzado

Coube abriu o segundo bloco dizendo que Rodrigo foi ingrato com o atual prefeito, Tuga Angerami, ao critica-lo e questionou como o adversário sentaria na mesa do governador Serra depois de ataca-lo tanto na campanha. Mas Agostinho pontuou que exerce o papel de críticas políticas e que cobra maior participação do governo paulista na resolução de problemas como o asfalto. Sobre Tuga, o peemedebista disse que o povo "está decepcionado com ele".

A polarização entre Caio e Rodrigo na campanha voltou a ser demarcada no debate quando Rodrigo utilizou Leme para criticar a promessa tucana, às vésperas da eleição, de duplicar a avenida Nações Norte. Batedor anti-tucano desde o início da campanha, Leme ajudou, atacando que isso “é uma farsa”.

A repetição de alfinetadas entre tucanos e peemedebistas só foi quebrada em episódios como o ataque de Rosa a Gazzetta: “Em 1992 você disputou a eleição, perdeu, e ganhou como prêmio uma secretaria. Vai receber prêmio de novo agora?”, disparou.

Apesar da pedetista reunir o maior telhado de vidro político entre os concorrentes, Gazzetta não foi para o revide e negou negociação de cargo se não vier a vencer a eleição. Na réplica, Rosa insistiu ironizando que ela mora em Bauru há mais de 30 anos, fazendo referência aos períodos em que Clodoaldo trabalhou fora da cidade. Este chegou a dizer que levou a escritura de sua casa ao debate, já prevendo que suas andanças a trabalho pelo litoral paulista fossem ser discutidas.

Márcia Camargo (PSOL) voltou a ser dura com Caio, retomando a venda de títulos campestres do Noroeste no período em que o empresário era vice-presidente do clube. A questão já tinha sido alvo de ataque de Tuga Angerami contra Caio na eleição de 2004. Na época, a crítica desconsertou Coube. Ontem, ele disse que o bauruense Reinaldo Galli é quem lançou o programa e que o Clube Campestre não saiu porque a área sofreu penhora por dívidas do Noroeste.

Mas Rosa Izzo (PDT) voltou a assumir papel de franca-atiradora no debate e insistiu com Caio, em outra etapa do debate, nos prejuízos para os que adquiriram os títulos.

Neste tom, com alfinetadas meramente políticas-partidárias, ou temas da vida pregressa dos candidatos, o debate seguiu e só não se manteve nesta linha de troca de farpas entre os concorrentes porque a TV TEM delimitou, por sorteio, temas prévios para a discussão. Sem isso, a disputa pelo poder local teria levado os concorrentes a preferir muito mais indagações para tentar desestabilizar o adversário do que a discussão de inúmeros problemas locais, muitos, inclusive, sobre os quais pairam dúvidas sobre suas soluções.

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Chavões de cada um

Caio Coube – “Eu tive a coragem...”

Clodoaldo Gazzetta – “Sou o candidato mais preparado...”

José Leme – “Eu vou acordar cedo...”

Márcia Camargo – “Nós, como socialistas,...”

Rodrigo Agostinho – “Eu tenho um sonho...”

Rosa Izzo – “Vocês podem ter certeza...”

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