Internacional

EUA: medo de recessão derruba bolsa

Por Folhapress | Com Reuters
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Nova York - As bolsas de valores norte-americanas fecharam em forte queda ontem, diante do aperto no crédito e dos fracos dados econômicos, que colocaram foco no árduo futuro previsto para a economia dos EUA, independentemente da aprovação do pacote de 700 bilhões de dólares.

O índice Dow Jones tombou 3,22 por cento, a 10.482 pontos. O Standard & Poor’s 500 mergulhou 4,03 por cento, a 1.114 pontos.O Nasdaq despencou 4,48 por cento, para 1.976 pontos.

Temores de que a economia pode entrar em recessão, cortando ainda mais os lucros corporativos, justificaram as quedas. Dados sobre o número de pedidos de auxílio-desemprego, que atingiram a máxima em sete anos, pintam um cenário tenso, à medida que um relatório mostrou uma forte queda nos pedidos industriais em agosto.

“É quase uma tempestade perfeita e está começando a chegar a aqui”, afirmou Alan Lancz, presidente da Alan B. Lancz & Associates, acrescentando que os dados fracos expuseram a extensão do dano vindo dos mercados de crédito. Isto acrescentou a ansiedade com o destino do plano de resgate do governo, que o Senado aprovou anteontem após o Câmara rejeitar a sua forma original. Uma segunda votação da Câmara dos Deputados deve ocorrer na hoje.

Os preços do petróleo caíram mais de 4 por cento com as turbulências financeiras elevando as preocupações com a demanda por combustível e metais preciosos recuaram com a valorização do dólar.

“Existe um grande temor de que a lei não seja aprovada, que está pesando sobre o mercado, e ao mesmo tempo nós estamos vendo as commodities despencando”, afirmou Angel Mata, diretora-gerente de operações com ações listadas da Stifel Nicolaus Capital Markets.

FMI vê risco de recessão

O FMI (Fundo Monetário Internacional) vê “chance substancial de forte desaceleração” nos EUA e não descarta que o país venha a mergulhar em uma recessão. Para o Fundo, a atual crise tem todos os ingredientes para levar a uma fase prolongada de crescimento muito baixo ou negativo.

“O comportamento dos preços dos ativos, do crédito e dos empréstimos imobiliários nos EUA ao longo desse período de estresse no mercado é muito similar ao de outros momentos seguidos por recessões”, afirmou o FMI no relatório “Panorama da Economia Mundial’’. Para o economista-chefe-adjunto do Fundo, Charles Collyns, “está claro que estamos diante do mais perigoso choque nos mercados desenvolvidos desde os anos 1930, o que representa enorme ameaça para o crescimento global”.

“Não consigo pensar em um exemplo de país que tenha sofrido um golpe tão grande em seu sistema financeiro e que não tenha sofrido fortes conseqüências econômicas. Quando os bancos sofrem um estrago como o atual, aumentam consideravelmente as chances de uma contração severa e prolongada”, disse Collyns. O documento é o mais pessimista do FMI sobre a crise e representa uma forte mudança de opinião da instituição.

Em 17 de setembro, o diretor-gerente do Fundo, Dominique Strauss-Kahn, afirmou: “Podemos estar perto do fim da crise financeira”. Em julho, o mesmo FMI divulgou relatório prevendo uma “contração moderada” na segunda metade de 2008 e “recuperação” em 2009.

No trabalho de ontem, o FMI analisou 113 períodos de crises em 17 economias desenvolvidas nos últimos 30 anos. A maioria levou ou a recessão ou forte desaquecimento.

No caso das recessões, elas ocorreram, em média, após três trimestres de crise financeira (a atual já dura mais de um ano) e se prolongaram por sete trimestres, subtraindo 14% do PIB ao longo do período. O Fundo destaca ainda que recessões ou desaquecimentos precedidos por crises bancárias (como a atual) tendem a se prolongar por duas a quatro vezes mais tempo e retirar de duas a três vezes mais pontos do PIB do que fases onde não há sérios problemas financeiros.

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Câmara dos EUA só votará pacote se aprovação for certa

Washington - A versão “vitaminada” do pacote só será votada hoje pela Câmara dos Representantes (deputados) se os líderes tiverem certeza de que há votos suficientes para aprovação, disse a presidente do Congresso, a democrata Nancy Pelosi.

“Não vamos colocar o projeto em votação sem ter os votos, mas estou otimista de que o colocaremos”, disse a congressista. Pelosi evita repetir o susto de segunda-feira, quando uma outra versão do pacote foi rejeitada numa revolta liderada por parte da base governista, principalmente os mais conservadores, e da fatia progressista da oposição democrata.

Por 12 votos, o pacote não passou então, e a Bolsa do país sofreu perda de US$ 1,2 trilhão, na maior derrota política dos dois mandatos de Bush. O líder da minoria, o republicano Steny Hoyer, disse que há “boa perspectiva” de que os republicanos compareçam com os votos que faltam hoje.

O problema agora parece ser os democratas fiscalmente conservadores, os chamados “Blue Dogs”, que compareceram com 25 votos a favor na segunda. Há o receio de que o grupo se rebele por conta de algumas das modificações feitas no Senado, especificamente o corte de impostos para a classe média e pequenas empresas, o que acrescentou US$ 150 bilhões aos US$ 700 bilhões pedidos pelo governo. O dinheiro, que já era a maior intervenção do tipo na economia do país, virá da autorização do Congresso, embutida no plano, para que o governo eleve nesse montante seu débito público, para US$ 11,3 trilhões. “Teremos de ignorar essa irresponsabilidade do Senado”, disse Jim Cooper, um dos membros da Blue Dog Coalition, que votou “sim” na segunda.

O teor geral do plano contempla tanto as principais exigências do secretário do Tesouro, Henry Paulson, quanto as principais críticas dos legisladores americanos ao teor do pacote, críticas essas que fizeram as negociações se arrastarem.

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