Política

Para Zonta, houve populismo


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Os seis candidatos a prefeito em algum momento da campanha defenderam propostas populistas e a propaganda no horário eleitoral gratuito na TV tem influência para a realização do 2º turno em Bauru. Essa é a opinião do professor-doutor em política social Celso Zonta.

Jornal da Cidade – Como o senhor avalia esta eleição municipal?

Zonta - Não vejo muita diferença em relação à anterior. Os problemas apontados pela população foram discutidos pelos candidatos. O curioso é que não houve grandes distinções nos programas de governos dos seis candidatos. O que ocorreu foi diferença na abordagem de determinados assuntos. Em alguns casos houve mais críticas, mas esta eleição não foi ideológica. No horário eleitoral os candidatos não se arriscaram a se ofender, porque a Justiça poderia dar direito de resposta.

JC - Nem por parte do PSOL/PSTU?

Zonta - A ideologia tem que estar fundamentada nos problemas da realidade. Não adianta fazer discurso ideológico e distanciado da realidade. Uma candidata defendeu de a prefeitura estatizar as linhas de ônibus. Ideologicamente é fácil entender isso, do ponto de vista prático é difícil. A prefeitura não consegue tapar buraco direito o que dirá de comprar frota de ônibus nova para transportar as pessoas. Isso não encontra eco na sociedade. A população tem alguma clareza do que é possível e o impossível. Outra questão o de asfalto gratuito para todo mundo. Esse tipo de proposta é inviável na atual conjuntura.

JC - Essa proposta de forte apelo populista continua em voga?

Zonta - As pesquisas demonstram que os defensores de teses populistas não emplacaram. Todos os candidatos de um jeito ou de outro apresentaram propostas populistas.

JC - Os candidatos federalizaram e estadualizaram a eleição municipal?

Zonta – Não se sabe ao certo qual o efeito desses apoios do presidente e do governador. É óbvio que a imagem do Presidente da República está bem avaliada e transfere credibilidade para quem tem esse apoio. Não a ponto de federalizar ou estadualizar a eleição. Essas transferências não são automáticas.

JC - Por que não foi?

Zonta - Os problemas da cidade são pontuais pelofato de Bauru ter uma crise de 20 anos de governabilidade. Isso afastou a questão ideológica. Por isso a questão de privatizar ou não é pequena num contexto maior de problemas da cidade.

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