Polícia

Comércio baixa as portas em apoio a policiais civis em greve

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 2 min

À medida em que os policiais civis, que em Bauru estão em greve há 25 dias, passavam pelo Calçadão da Batista de Carvalho ontem pela manhã, as lojas baixavam as portas, um sinal de apoio dos comerciantes ao movimento por reajuste salarial. Em passeata, cerca de 500 delegados, investigadores e escrivães das regiões de Bauru, Marília, Assis, Tupã, entre outros municípios, saíram de frente da Delegacia Seccional, passaram pelo Calçadão e seguiram até a Praça Rui Barbosa, onde, em assembléia, rejeitaram a proposta formulada pelo governo do Estado.

Durante todo o trajeto, buzinas e apitos ecoaram. Também foi feito o enterro simbólico do que os grevistas chamaram de “antiga Polícia Civil”, para celebrar o nascimento de uma nova força policial, mais coesa. Os policiais acenderam velas e levaram um caixão com a foto do governador José Serra (PSDB).

Policiais se vestiram como viúvas para simbolizar o velório e, na frente do caixão, um cartaz criticava os que ocuparam cargos de confiança para não entrarem em greve. Chamado de “Zé Otário”, um homem carregava outro, simbolizando o secretário de Segurança Pública, Ronaldo Marzagão.

Rejeitada

Na assembléia realizada na Praça Rui Barbosa, os policiais rejeitaram a proposta do governo, de extinção da 5a classe e ascensão direta à 3a classe, desde que se cumpra estágio probatório de dois anos, reposição linear de 6,2% para todas as carreiras, aposentadoria especial e a promessa de não haver retaliações administrativas. A efetivação das propostas era condicionada à volta da categoria ao trabalho.

Segundo o delegado regional do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo, Edson Cardia, na prática não há extinção da 4a classe, que é outra reivindicação dos grevistas, e o reajuste não atende as expectativas dos policiais. “Nós já achamos 7,5% uma afronta, agora ele quer dar só 6,2%”, frisou.

O delegado regional do Sindicato dos Delegados de Polícia de Marília, Cléber Pinha Alonso, também classificou a proposta do governo como “uma ofensa”. Segundo ele, várias cidades já rejeitaram essa proposta e ela deve ser rejeitada novamente na assembléia geral que será realizada segunda-feira em São Paulo. Já o delegado regional do Sindicato dos Investigadores do Estado de São Paulo (Sipesp), Márcio Cunha, alertou para manobras que o governo vem adotando para enfraquecer o movimento.

De acordo com o sindicalista, não há racha na greve, pelo contrário, a categoria está cada vez mais unida. Cunha salientou ainda que, se tentarem jogar a greve na ilegalidade, as delegacias serão fechadas. “O STF (Supremo Tribunal Federal) já reconheceu a legalidade do nosso movimento, mas se tentarem nos empurrar para a ilegalidade, vamos endurecer. Fecharemos as delegacias e não alimentaremos os presos. Aí, o que eles vão fazer?”, indagou.

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Eleições

O delegado Edson Cardia reforçou que amanhã a Polícia Civil vai atuar normalmente nas eleições, atendendo ocorrências relacionadas ao pleito e ficando à disposição dos juízes eleitorais. “Nós trabalharemos normalmente por causa da democracia, preservando o estado democrático de direito”, afirmou.

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