Tribuna do Leitor

Peça adulterada


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O que é o amor? Qual papel exercemos na vida do outro? No teatro que compõe nossas vidas, o papel principal cabe a nós executá-lo. Não podemos esquecer, entretanto, que caso seja bem feito, ficamos guardados na lembrança como pessoas que um dia plantaram e, portanto, colheram o bem. Por outro lado, caso a opção seja interpretar vilões, as imagens de cenas com nossa participação ficarão guardadas apenas no subconsciente das pessoas para que sejamos lembrados de maneira inesperada, quando não involuntária.

Numa cena romântica, por exemplo, um casal aparentemente apaixonado, pode perfeitamente mudar o enredo de uma história, como foi o caso de Bento Santiago e sua adorável esposa Capitu. Isso prova que somos verdadeiros pupilos da vida e, dessa forma, quando defrontamos com eventuais situações, como a apresentada nos últimos capítulos do romance de Dom Casmurro, na maioria das vezes, temos muito o que aprender.

As pessoas, genericamente, encaram o adultério com “olhos de ressaca”, oblíquos e dissimulados. São capazes de julgar uns aos outros de maneira impiedosa e, até mesmo, irracional. É algo desumano, inaceitável.

De maneira geral, cada um sabe o que se passa em sua própria peça teatral, não podendo ninguém da platéia julgar, pois não sabemos o que acontece nos bastidores durante os intervalos.

Fernanda Cestari Unida, estudante

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