Bairros

Portadores estão à espera de melhorias

Wagner Carvalho
| Tempo de leitura: 3 min

Eles têm família, trabalho, estudam, enfim, levam uma vida como todos os moradores da cidade. Mas quando o assunto é acessibilidade, ser portador de necessidades especiais em Bauru não é nada fácil. De acordo com a lei federal atual, oferecer acessibilidade é dar condição para utilização, com segurança e autonomia, total ou assistida dos espaços, mobiliários e equipamentos urbanos, das edificações, serviços de transporte e dos dispositivos, sistemas de comunicação e informação, por pessoas portadora de deficiência ou com mobilidade reduzida, ou seja, também a idosos, gestantes e pessoas que se encontrem em processo de recuperação de fratura ou intervenção cirúrgica.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 10% da população de um município está incluída nesse grupo. Já o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) trabalha com uma porcentagem ainda maior, na casa dos 15%. O Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência (Comude) acredita que em nossa cidade cerca de 36 mil pessoas se encaixem no grupo de pessoas portadoras de algum tipo de deficiência ou que estejam com a mobilidade reduzida.

Luiz Aparecido da Silva é uma dessas pessoas e, apesar de não poder andar, por possuir parte das pernas amputadas, tenta levar uma vida “normal” pelas ruas da cidade. Mas como o município é deficiente no quesito acessibilidade, quase sempre o cadeirante precisa solicitar a ajuda de uma outra pessoa para simplesmente poder subir em uma calçada.

“É muito difícil para o cadeirante se locomover sem precisar da ajuda dos outros pelas ruas de Bauru”, afirma Silva. De acordo com ele, a cidade está muito longe do que seria o ideal para que um cadeirante ou qualquer outro pessoa com deficiência possa viver sem enfrentar problemas. “Mas como já estou nessa cadeira há 40 anos, posso garantir que um grande avanço foi alcançado de uns anos para cá, porque já foi muito pior”, completa.

William Pinheiro, vítima de paralisia infantil desde os 10 anos, trabalha como telefonista em um hospital da cidade e se desloca todos os dias para o trabalho em sua cadeira de rodas. “A adaptação do transporte circular às normas de acessibilidade facilitou muito a minha vida”, afirma.

Pinheiro conta que leva uma vida normal, mas procura freqüentar apenas os espaços que ofereçam recursos para que um cadeirante possa se locomover tranqüilamente. “Nunca enfrentei nenhum tipo de preconceito. Mesmo quando criança e já com a deficiência física, jogava bola com os garotos da rua, era o goleiro do time”, conta.

Mesmo assistindo a uma melhora significativa na acessibilidade para os portadores de deficiência, ele conta que todos os dias precisa percorrer um bom trecho com sua cadeira de rodas pela rua para ter acesso ao transporte público. “As calçadas e as rampas têm péssima qualidade e algumas não têm condições de serem utilizadas”, protesta.

Graziele Alvarenga Garcia não enfrenta nenhum tipo de deficiência física, mas por ter se tornado mãe recentemente, se encontra com sua mobilidade reduzida, já que precisa empurrar o carrinho com o seu filho. Moradora em Marília, a jovem compara as obras de acessibilidade realizadas em Bauru com as da sua cidade. “Aqui é muito ruim, as rampas as calçadas são irregulares. Nesse quesito, Marília está muito mais avançada”, afirma.

Germano Silvestre Torres também não possui deficiência, mas a idade já não permite tanta firmeza e rapidez nos passos, daí o uso das muletas ser indispensável. Com 83 anos, ele conta que diversas vezes precisa se arriscar nas ruas, já que a maior parte das calçadas em Bauru não segue um padrão e o risco de queda é muito grande. “Evito sair de casa, apenas saio para a caminhada recomendada pelo médico e em casos de necessidade”, afirma.

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