Saúde

Toques e Retoques: Por que não emagreço?

Consultoria: Daniela Hueb
| Tempo de leitura: 5 min

Prezado leitor,

Este título lhe caiu bem ou será que poderia ser: quem vai me emagrecer? É comum receber diariamente pacientes em meu consultório queixando-se que não conseguem emagrecer, e essa procura esta aumentando cada dia mais. Muitos passaram por vários profissionais, rodaram de médico em médico, nutricionista em nutricionista e de academia em academia, e o engraçado é que a maioria apresenta seus exames de sangue perfeitamente normais. O que será que acontece?

O primeiro passo

Antes de tudo é importante se fazer algumas perguntas: Quero emagrecer por mim ou por alguém? Por saúde ou por estética? Para ficar parecido com algum ídolo? Ao responder essas perguntas, é interessante procurar um médico para cuidar da sua saúde geral, um nutricionista para ensiná-lo a comer adequadamente, um profissional de educação física para orientá-lo sobre qual a melhor atividade física para o seu caso e até mesmo um psicólogo para ver se sua mente está aberta para emagrecer e, o mais importante, para manter-se magro.

Além desses profissionais, deve-se ter a consciência de que ninguém vai te emagrecer, você precisa estar disposto a se ajudar e a colaborar com o tratamento. Afinal, você procura um profissional para “emagrecer”, não para “ser emagrecido”.

Por que engordamos?

Dentre vários motivos têm-se o hipotireoidismo (tireóide preguiçosa), resistência insulínica (quase diabetes), diabetes tipo II, Síndrome de Cushing, genética, dieta inadequada e sedentarismo, entre outros. Um médico especializado será capaz de solicitar os exames adequados e identificar qual o seu motivo de engordar.

Quando o fator genética entra na jogada, aí a luta fica mais árdua. É difícil driblá-la, mas nada que (adivinhe quem?) uma dieta e atividade física bem orientada não resolvam.

Próximo passo

Ao descobrir o real motivo que o leva a engordar, devemos “atacá-lo” com todas as armas, com o bom e velho tripé do tratamento: medicação, dieta e atividade física. Dependendo do caso, pode-se também lançar mão da cirurgia bariátrica (popular cirurgia de estômago) e terapia.

Não se iluda que seus problemas acabarão apenas operando do estômago. Ainda não descobriram a cura para a obesidade e, enquanto ela não vier embora, você já esteja careca de saber uma triste notícia: a dieta e a atividade física vão perseguir-lhe por toda a vida.

De todos estes fatores, a dieta é o pilar do tratamento. De nada adianta tratar das disfunções hormonais (medicação), se “matar” em academias (atividade física), ser submetido a cirurgias bariátricas (cirurgia de estômago) e fazer alguma terapia (com psicólogo) sem levar a sério uma dieta alimentar. Não existe tratamento milagroso sem esforço e privações.

Motivos mais comuns

Pela minha rotina profissional, entre os motivos que impedem o emagrecimento imperam o hipotireoidismo e a resistência insulínica. Estas disfunções são tranqüilamente tratadas com medicamentos específicos e com dieta adequada. Um ponto importante é não culpá-las para deixar de cumprir a sua parte do tratamento (dieta e atividade física). Essas disfunções apenas dificultam o emagrecimento, mas não lhe impedem de emagrecer.

Para as pessoas que não apresentam nenhuma disfunção e mesmo assim não conseguem emagrecer, deve-se perguntar se realmente está disposta a perder peso cumprindo a sua parte do tratamento.

É muito comum (inconscientemente, é claro) que exista um certo interesse em manter-se “gordinho”, talvez para afastar-se de seu cônjuge, ou para proteger-se da sexualidade (não ficar atraente para outras pessoas); ou para usar a gordura como meio de vida para se esquivar de algumas situações ou obrigações, ou até mesmo para se recompensar pelo estresse diário com comida, entre outros. Você deve descobrir se este é o seu caso com a ajuda de um profissional de psicologia. Lembre-se: essas situações são, na maioria das vezes, “inconscientes” e não “conscientes”.

O que resolve?

Descartadas ou controladas as possibilidades orgânicas, novamente a boa e velha dieta e atividade física. É importante fazer um diário alimentar detalhando tudo o que se ingere, porque muitos dizem que não comem nada e não sabem por que engordam. Perceba que quem é magro sabe detalhadamente tudo o que ingere, já com os “gordinhos” é o inverso, daí a importância do diário alimentar.

A dieta, pelo menos quando se está na fase de emagrecimento, deve ser seguida de domingo a domingo, sem direito a feriados. Deixe para consumir os alimentos saborosos e prazerosos, como doces, na fase de manutenção do peso. Eles não estão eternamente proibidos, mas para o resultado ser eficaz, evitá-los fará a grande diferença. Só para se ter uma idéia, apenas um pedaço de rapadura (é só um pedacinho, não é?) empaca o emagrecimento em até três dias, e os dias empacam mais a cada pedaço.

Não se iluda que as modelos são magras por que têm sorte. Sorte não existe neste segmento, e sim, disciplina e dedicação, e isso elas têm de sobra. Estar magro não é sinônimo de estar saudável. Alimentos errados prejudicam tanto quem está magro quanto quem está acima do peso. Alguns alimentos proporcionam um prazer momentâneo na boca e um prolongado desprazer por toda a vida na barriga.

O papel dos profissionais é de apenas identificar os problemas, tratá-los e orientá-los na melhor conduta. O sucesso de emagrecer e de manter-se magro deve partir de você, pois ninguém é capaz de emagrecê-lo se você não estiver disposto a isso.

Costumo dizer que, em emagrecimento, as palavras-chave são “disciplina” e “mudança de vida”. Lembre-se que só nos esforçamos por alguém que amamos muito. Portanto, faça uma parceria com os profissionais de sua escolha e vá à luta, valorize-se, ame-se, pois assim, com absoluta certeza, você atingirá seu objetivo.

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