Internacional

Para Obama, acusação de elo com terror é ofensiva

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Nova York - O Partido Democrata dos Estados Unidos classificou como “ofensiva”, porém “pouco surpreendente”, a acusação feita pelos republicanos de que Barack Obama tem ligações com terroristas.

A candidata à vice-presidência pelo Partido Republicano, Sarah Palin, acusou Obama de ter relações com Bill Ayers, um dos fundadores do grupo Weather Underground, que lançou uma campanha violenta contra a guerra do Vietnã e foi acusado por uma série de explosões nos EUA na década de 60.

Em nota, um porta-voz da campanha democrata, Hari Sevugan, disse que, em lugar de oferecer soluções para o país, principalmente para a atual crise econômica, os republicanos escolheram fazer “mais ataques pessoais contra o senador Obama”. “Em lugar de soluções, oferecem uma politicagem desesperada e de ataques falsos.”

Palin fez a acusação durante um discurso em Englewood, no Estado americano do Colorado. “Um dos primeiros apoiadores de Obama é um homem que, segundo o ‘New York Times’, é um terrorista doméstico”, disse a republicana. “Obama vê os Estados Unidos como algo tão imperfeito que está se amigando com terroristas que querem atacar seu próprio país.”

Ligação

Segundo o site da rede CNN, Obama e Ayers se encontraram várias vezes desde 1995, quando eles trabalharam em um grupo sem fins lucrativos que tinha a intenção de levantar fundos para melhorias em uma escola.

Mas um outro porta-voz da campanha de Obama, Ben LaBolt, diz que os dois não conversaram por telefone ou e-mail desde que o candidato democrata se tornou senador, em 2005. O último encontro entre os dois teria ocorrido por acaso nas ruas de Chigado, onde os dois moram.

O próprio artigo do “New York Times” citado por Palin afirma que “os dois homens não parecem ser próximos”. “Obama nunca expressou simpatia pelas visões radicais de Ayers, a quem ele chamou de alguém que participou de atos detestáveis há 40 anos, quando eu tinha oito anos de idade”, diz o jornal.

De acordo com a CNN, o ataque de Palin é uma indicação de que os republicanos vão elevar o tom dos ataques, a um mês das eleições. “Nós vamos pegar um pouco mais pesado”, afirmou à emissora de TV um dos estrategistas da campanha de John McCain, que não foi identificado. “Nós temos de questionar as associações desse cara. Bem logo. Não há dúvidas de que nós temos que mudar o assunto nessa área.”

Disputa

A um mês das eleições presidenciais dos Estados Unidos, em 4 de novembro, o candidato republicano, John McCain, está bem atrás nas pesquisas de intenção de voto. E não se sabe muito bem como o fator “Palin” afetará sua campanha.

Os responsáveis da campanha de McCain afirmam que a imagem de autenticidade de Palin, com suas expressões claras e seu definido status de mãe de classe média, darão impulso ao senador republicano.

De fato, já anunciaram que ela falará com mais freqüência aos meios de comunicação, o que marca uma mudança estratégica, depois das críticas à campanha pelas raras entrevistas concedidas com Palin e pelo controle em suas declarações.

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