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Qual proposta decidiu seu voto?


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Quem vota certo e quem vota errado? Mas o que é votar certo e votar errado? Com exceção dos casos de eleitores desprepa-rados ou induzidos, todos saem das eleições convictos de que tomaram a melhor decisão, que os candidatos a prefeito e vereador eram os que mais mereciam o seu voto. Quando olhavam para os seus candidatos julgavam estar ouvindo as recomendações para verificar o passado deles, para colocar o interesse da cidade em primeiro lugar, para ver quem estava mais preparado para o cargo, e imaginavam estar vendo neles exatamente essas características. Nem a evidência de fatos contrários conseguia demovê-los. Seria inveja ou intriga da oposição.

Chegando a hora da votação, qual a proposta que decidiu o seu voto? Naturalmente que a resposta depende de seus interesses e da sua opinião, que devem ser respeitados. E o voto secreto tem o mérito de proteger a sua decisão. Agora, se foi certo ou errado, considerando que os seus candidatos foram eleitos, somente o desempenho deles no cargo é que vai comprovar. Mas vai comprovar para você, que pode ficar satisfeito como pode ficar decepcionado. Se suas expectativas e seus interesses foram atendidos, acertou. Do contrário, errou, mas sempre do seu ponto de vista.

Quanto aos que votaram nos candidatos que perderam, podem ficar com a mágoa de não vê-los eleitos, mas também podem ficar surpresos com o desempenho dos vencedores e consolarem-se da derrota. É o desempenho da função depois de empossados que vai definir do acerto ou do erro da decisão do eleitor.

Voltando à pergunta: qual a proposta que decidiu seu voto? Naturalmente o eleitor terá uma resposta, mas o difícil será mostrar a diferença dessa proposta com as demais. A proposta incluía a educação, prometendo fazer mais escolas, melhorar o salário dos professores, melhorar a merenda? E qual outra não falava nisso? Incluía saúde, contratando mais médicos, pagando salários melhores aos médicos, acabar com as filas de atendimento? E qual não falava nisso? Incluía esporte, lazer, recreação? Incluía asfalto, ponte, viaduto, transporte coletivo, segurança, melhoria das praças, tratamento do esgoto, melhoria dos vencimentos dos funcionários, plano de saúde? E qual não incluía esses assuntos? O que colocava a proposta escolhida em destaque? Fica difícil.

A cientista social Paula Miraglia, em artigo na Folha (01/10), diz o seguinte: “As propostas não estão qualificadas o suficiente para que seja possível identificá-las com um candidato, com um partido ou com as prioridades desta ou daquela gestão. Dessa forma, o que está disponível ao eleitor são apenas apontamentos superficiais (sobre os diversos assuntos da gestão da cidade)... Propostas tão pouco conseqüentes revelam, no melhor dos casos, uma ausência de propostas. No pior deles, anunciam um vale-tudo em busca de votos.”

Muitos estão falando em aprofundamento das propostas, agora no segundo turno. Em que consistirá isso? Num programa de governo? Não, não haverá tempo. No que, então? Num propósito inovador, que depois possa ser transformado num verdadeiro plano de governo, que aglutine e motive todas as forças da cidade? Quem sabe? Uma coisa em que todos precisarão estar de acordo, no entanto, ganhadores e perdedores, é que o prefeito e os vereadores eleitos serão os representantes de todos, dos que votaram neles e dos que não votaram. Os eleitos, se pensam na sua continuidade na vida política, e mesmo numa ascensão a posições mais altas, terão que fazer o possível para não decepcionar os que votaram neles e para cativar os que não votaram. Isso só é possível se eles trabalharem com afinco, olhando sempre para o bem comum e colocando os interesses do município acima dos seus interesses pessoais.

O autor, Pedro Grava Zanotelli, é consultor e ex-presidente da Ordem dos Velhos Jornalistas de Bauru

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