No período eleitoral, numa cidadezinha do Interior, todos se lembram do Zé do Chifre. Forasteiro, recém-chegado, foi logo dizendo que queria ser vereador. Quando o informaram que eram necessários 54 votos, ele retrucou: - Dois eu já tenho! O meu e o da minha mulher. Nas eleições seguintes, ele inscreveu-se como candidato e, após uma árdua campanha, teve uma surpresa desagradável: em seu nome só havia sido contabilizado um voto. Furioso, Zé do Chifre foi falar com a esposa.
- Eu votei em você, com certeza absoluta – disse ela. – Agora, nessa sua velha cabeça esquecida eu não confio. É bem possível que na cabine você tenha se atrapalhado e votado em outro.
- Sabe duma coisa, mulher. Arrume as malas que amanhã mesmo vamos embora daqui.
- Por que, marido?
- Já imaginou? Quando eu passar pela rua, a cidade inteira, a começar pelos meus inimigos, estará comentando: - Ali vai o cara que não sabe se é caduco ou cornudo!
Rui Bertoti