A reeleição de apenas três vereadores para a próxima legislatura transformou a sessão da Câmara Municipal de Bauru de ontem num cenário de ressaca e desolação. Olhares perdidos, discursos emocionados, agradecimentos aos eleitores pelos votos e cumprimentos marcaram o dia seguinte ao pleito de domingo. Para a maioria dos vereadores, a renovação ocorreu devido ao desgaste e à má avaliação do Executivo local.
Todos os discursos proferidos no rol dos oradores foram feitos para agradecer aos votos, destacar o trabalho da atual legislatura e desejar boa sorte aos que assumem o cargo em 1º de janeiro.
Dos atuais vereadores, Rodrigo Agostinho (PMDB) e José Clemente Rezende (DEM) concorrem na eleição majoritária, o primeiro como candidato a prefeito e o segundo como vice. Antonio Carlos Garmes (PTB), Futaro Sato (PMDB), Primo Mangialardo (PV) e Salvador Afonso (PDT) não participaram do processo eleitoral.
Dos outros nove vereadores, apenas José Carlos de Souza Pereira Batata (PT), Luiz Carlos Rodrigues Barbosa (PTB) e Marcelo Borges (PSDB) continuam no Legislativo.
Em seus discursos, ontem, Garmes e Batata destacaram o trabalho realizado pela atual legislatura. “Esta Câmara foi coerente com a democracia. Os números das urnas foram injustos com alguns vereadores e com o tempo será possível saber com quais deles”, relatou o petista.
A maioria dos parlamentares, tanto os reeleitos quanto os que deixarão o Legislativo no final do ano, atribui a renovação histórica em Bauru na Câmara ao fraco desempenho da prefeitura. “A Câmara pagou por um desgaste muito grande do atual governo na manutenção da cidade, infra-estrutura, saúde e isso acabou repercutindo nos vereadores”, comentou Borges.
Essa opinião foi compartilhada por Batata, Barbosa, Paulo Madureira (PP), Benedito da Silva (PSDB) e Majô Jandreice (PC do B). Já Paulo Eduardo Martins e João Parreira (PSDB) elogiam a atual administração. “O Tuga fez o que tinha de ser feito e, além disso, fui atendido por ele nas reivindicações em favor da população”, diz o primeiro. “O Tuga foi um bom prefeito. Se não fez muitas obras, recuperou as finanças da cidade. O próximo prefeito terá uma situação infinitamente melhor”, elogia o tucano.
Vereadores como Madureira, Arildo Lima Júnior (PP) e Martins tiveram mais votos domingo passado em comparação à eleição de 2004, mas não obtiveram a reeleição. Eles foram superados por colegas de partido com melhor desempenho nas urnas.
Silva, por exemplo, diz que no seu caso outro candidato dividiu votos na área onde atua, a Bela Vista. Ele se refere a Fábio Manfrinato (DEM) que somou 2.430 votos, mas não foi eleito.
Três dos vereadores não reeleitos vinham exercendo a função de parlamentar municipal há anos e, para eles, esse fator pesou negativamente. Madureira e Majô estão na quarta legislatura seguida. Parreira ocupa a sexta legislatura. “A renovação deve-se a um processo de desgaste dos vereadores que estão há tempos no Legislativo”, comenta o presidente da Câmara. “Levo comigo um desgaste do tempo em que estou no Legislativo. Toda vez que a gente assume uma posição, agrada uns, mas desagrada outros”, completa o tucano.
Majô atribui a renovação também à expectativa gerada por outros postulantes a uma cadeira na Câmara. “De tempos em tempos é normal que haja renovação na Câmara. Tivemos bons candidatos nesta eleição e o eleitor avaliou que eles seriam importantes nesse momento”, comenta.
Dos que não foram reeleitos, apenas Parreira afirma que está encerrando sua vida pública. Os demais pretendem disputar novamente daqui a quatro anos ou avaliar essa possibilidade a partir do ano que vem.
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Prefeito lamenta parte do resultado das urnas
O prefeito Tuga Angerami avaliou ontem que há vereadores que, em sua opinião, não foram reeleitos e que “mereciam um novo mandato pelo conhecimento que têm da cidade e por seu histórico de luta”. Da mesma forma, Tuga Angerami lamenta que a Câmara Municipal de Bauru
“ficará privada da experiência de alguns parlamentares que optaram por não disputar a reeleição”.
Sobre o segundo turno eleitoral na cidade, o prefeito entende que a etapa será uma oportunidade para que a população avalie as propostas dos dois candidatos e avalia que a definição do pleito se dará principalmente a partir da propaganda eleitoral gratuita e dos debates, embora não se possa abandonar o corpo-a-corpo com o eleitor.