Há um mês, quem fazia planos de ter uma ceia de Natal com mais produtos importados em função do câmbio favorável à moeda brasileira, está decepcionado. A cotação em torno de R$ 1,69 que deu esperanças a tantas pessoas, vem sofrendo várias reviravoltas desde o início da crise econômica americana. Ontem, o dólar comercial disparou e fechou cotado a R$ 2,311.
De acordo com o empresário César Prando, sócio-proprietário de uma loja de artigos nacionais e importados, as frutas secas e outras tipicamente consumidas no final do ano estarão entre as mais afetadas pela variação do câmbio. “As compras (de mercadorias) que forem feitas a partir de agora terão os preços totalmente influenciados pelas altas do dólar. O momento é de expectativa. Nós estamos ‘segurando’ ao máximo os preços”, diz.
Segundo o empresário, as tradicionais cestas de Natal comercializadas na loja, que incluem produtos importados, não sofrerão os reflexos da crise porque as encomendas já haviam sido feitas anteriormente. “Mas se o dólar continuar subindo, outros reflexos virão, principalmente de retração no consumo. A partir de agora entra o período que as empresas começam a encomendar as cestas e brindes que darão aos funcionários no final do ano. Mas enquanto o dólar não baixar, elas (empresas) vão continuar esperando para avaliar o cenário”, analisa.
No comércio varejista, os reflexos negativos da crise ainda não são motivo de preocupação, segundo o presidente da Associação Comercial de Bauru (Acib), Benedito Luiz da Silva. Entretanto, se a crise demorar para ser controlada, os reflexos serão inevitáveis e o comércio poderá ter um final de ano com resultados abaixo do previsto.
“De maneira geral, o comportamento do consumidor ainda não mudou. Mas se o dólar continuar subindo e a crise permanecer, as exigências para concessão de crédito devem ficar ainda maiores, afetando o público consumidor. Neste momento, por exemplo, os pagamentos à vista são mais vantajosos para o consumidor, porque os lojistas acabam investindo mais nessa modalidade para evitar a inadimplência”, orienta Silva.