As reações ao anúncio da saída de Celso Frateschi da presidência da Funarte, anteontem, variaram do alívio ao pesar. Ele deixou a presidência da fundação após a publicação de reportagem em “O Globo” sobre suposto favorecimento da instituição à Ágora, companhia de teatro que Frateschi fundou.
O presidente da Associação dos Produtores Teatrais Independentes, Odilon Wagner, disse que a instituição que representa “não sentirá saudades” do demissionário: “Estamos aliviados com a saída dele. A gestão foi caótica, caracterizada pelo autoritarismo e pela falta de diálogo. Tudo o que ele é bom como artista ele não é como gestor. Vínhamos mostrando há tempos a dificuldade de acesso aos mecanismos que a Funarte disponibiliza”.
A produtora teatral carioca Andréa Alves avalia que “faltou uma proximidade maior (de Frateschi) com os segmentos”. O diretor teatral Sérgio Carvalho, da paulista Cia. do Latão, observou que “Frateschi pagou o preço de se confrontar com a inércia privatista que movia a Funarte”. “De um lado, se indispôs com o baixo clero do teatro comercial do Rio, que fazia da entidade o seu quintal. De outro lado, não teve o apoio do movimento de teatro de grupo, por despolitização deste”.
Antes uma caravana de artistas que viajava por cidades brasileiras, agora os espetáculos do projeto Pixinguinha acontecem só dentro dos Estados com dois artistas locais, e resultarão na gravação de um CD com tiragem de mil cópias. Frateschi justifica que a divulgação musical hoje não depende apenas de shows e que o intento é fortalecer as cadeias produtivas locais.
O projeto Rede Nacional de Artes Visuais, cujos participantes eram escolhidos por convites, agora adotou a seleção por edital. Segundo Xico Chaves, ex-coordenador de Artes Visuais da Funarte, o projeto pode não funcionar em seu novo formato. “O convite partia de um mapeamento feito pelos críticos mais importantes de cada região, a partir do qual a gente via as necessidades para depois desenvolver um conjunto de atividades específico”, diz.
“Quando a gente abre o edital, a gente é autoritário?”, questiona Frateschi. “Se eu indicasse quem eu quero é que seria um contra-senso.”