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Dr. Automóvel: Dúvidas de leitores: faróis, óleo...

Consultoria: Marcos Serra Negra Camerini*
| Tempo de leitura: 4 min

Toda semana, abordamos algum assunto interessante do automóvel do ponto de vista de engenharia, projeto, características de aplicação ou manutenção. O gratificante é o retorno que temos tido dos leitores com perguntas das mais variadas que respondemos diretamente, mas selecionamos algumas para responder através desta coluna quando o assunto possa ser de interesse de mais pessoas. Vamos a algumas delas.

Nosso amigo leitor Adclederson Cujinotti nos pergunta:

“Estou com uma dúvida em relação a lâmpadas. Meu carro é um Tempra turbo 97 e utiliza lâmpadas H1 em todos os faróis. Na alta está com Osram Cool Blue, na baixa, kit xenon 8000k e nos faróis do pára-choque, Philips Cristal Vision. Estou querendo trocar as do pára-choque. Já pensei em colocar outro kit xenon de 8000k - mas surgiu a dúvida: uns me falaram que não ia iluminar bem na chuva, outros dizem que sim. Depois pensei em colocar lâmpadas Altezza 2800k amarelo-gema-de-ovo - dizem que é bom na chuva - ou Osram Silver Star. Por fim, gostaria de uma dica de que tipo de lâmpadas utilizar no meu carro sem ser as originais e que vai melhorar o conjunto iluminação em qualquer condição climática, seco, chuva etc. O xenon de 8k da baixa vou deixar porque é bom, mas ainda não dirigi com ele na chuva. E na alta, fica como está ou troco? No pára-choque, o que fazer?”

Viram o tamanho da confusão? Alterar a configuração original de um carro não é fácil por dois motivos: primeiro, foi projetado por engenheiros especializados de forma a obter o melhor rendimento a um custo mais baixo; segundo, o mercado oferece uma infinidade de opcionais que fica difícil de escolher. Aí é que mora o perigo, pois amigos ou “experts” começam a palpitar e você acaba entrando na deles. Vamos aos fatos: seu poder de iluminação frontal está um canhão, meu amigo. Tem luz até demais, precisa sempre manter os faróis muito bem regulados e alinhados para não prejudicar os motoristas que vêm no sentido contrário. A escolha de iluminação azulada certamente foi mais em função estética do que prática, não foi? Fica bonita e parece carro importado. Mas na chuva realmente o tom azul não é o mais indicado. Como diz meu amigo Tamarozzi, este, sim, expert em lâmpadas automotivas, sua luz azul é muito forte, mas não dá contraste na chuva. O ideal é manter os faróis principais como estão e instalar nos faróis de neblina lâmpadas de luz amarelada (não precisa ser o amarelo gema), que proporciona um contraste muito maior em situações de neblina e chuva. Aí você pode sair em qualquer tempo. Lembre-se que os faróis de neblina devem ser usados em estradas e em situações de chuva e neblina, não como únicas luzes frontais na cidade...

Outra pergunta que recebemos é do nosso amigo leitor Daniel Henrique Amaral:

“Eu li reportagem Automercado sobre óleo de motor e achei bem interessante. Apesar da boa explicação, ainda tenho uma dúvida: na última vez que fui trocar óleo e filtro do meu carro (um Celta 2005), optei por colocar um óleo sintético. E depois disso, me falaram que agora eu só posso usar óleo sintético (não poderia usar óleo mineral novamente por ter usado o sintético uma vez). É verdade? Outra coisa também é que o óleo sintético “dura” 10 mil Km. É bom trocar antes dessa quilometragem ou posso esperar numa boa os 10 mil?”

Outra confusão por “ouvir falar”. Caro Daniel, óleos sintéticos são mais caros que os recomendados por terem características físico-químicas diferentes tanto na formulação quanto na durabilidade. São geralmente recomendados para motores de alto desempenho, como os importados esportivos de alto desempenho, o que não é o caso do seu Celta. Portanto, o gasto na compra do sintético não vai traduzir em maior desempenho, apenas foi jogado dinheiro fora desnecessariamente. Um motor também não é temperamental ao ponto de não aceitar mais o óleo recomendado de fábrica após a experiência sintética, isto não existe. O que não se recomenda é misturar os dois tipos, como trocar por sintético e completar com mineral. Se trocar tudo por mineral, o motor funciona sem problemas. E todo óleo agüenta 10.000 km desde que usados conforme a especificação do fabricante. A troca é recomendada por tempo (6 meses) ou quilometragem (10.000 km), o que vencer primeiro. Cuidado com os frentistas técnicos...

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* Marcos Serra Negra Camerini é engenheiro mecânico formado pela Escola Politécnica da USP, pós-graduado em administração industrial e marketing e engenharia aeronáutica, com passagens como executivo na General Motors (GM) e Opel. Também é consultor de empresas e é diretor geral da Tryor Veículos Especiais Ltda.

Seu site é www.marcoscamerini.com.br.

Sugestões para a coluna e perguntas à seção Correio Técnico devem ser enviadas ao e-mail automerc@jcnet.com.br ou à redação do Jornal da Cidade, na rua Xingu, 4-44, Higienópolis. É obrigatório informar nome completo, RG, endereço e contato (telefone ou e-mail).

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