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Greve cancela 28 cirurgias na AHB

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Mais um problema para a Associação Hospitalar de Bauru (AHB) resolver. Alegando atrasos nos salários, os médicos anestesistas entraram em greve e desde de segunda-feira fazem somente cirurgias de emergência. Desde então, 28 operações foram canceladas na Maternidade Santa Izabel e no Hospital de Base. A entidade também enfrenta dificuldade para contratar pediatras e compor equipes de plantão em suas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), o que levou a AHB anunciar que pretende unificar os leitos destinados a crianças, conforme o Jornal da Cidade divulgou na edição de ontem.

Uma mulher que pediu para não ter o nome divulgado informou que há um ano e meio aguarda para se submeter a uma cirurgia. O procedimento seria feito hoje pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Na terça-feira, quando passaria por uma consulta com o anestesista, ficou sabendo da paralisação. “Liguei para o consultório do médico e me informaram que os anestesistas estavam em greve”, conta. “Então, liguei para o especialista que faria a minha cirurgia e ele cancelou a operação até que eles voltem a trabalhar”, diz.

Após esperar mais de um ano pelo procedimento, ela está preocupada. “A minha cirurgia não é de emergência, mas já estou esperando há um ano e meio”, critica. Na maternidade Santa Izabel, onde estava marcada a operação da usuária, foram canceladas 11 cirurgias desde a segunda-feira. No Hospital de Base, 17 procedimentos foram cancelados desde o início da paralisação.

Um idoso que está internado no Hospital de Base também teve sua cirurgia cancelada. Ele precisa passar por uma cirurgia no fêmur esquerdo. Uma pessoa que cuida dele e também preferiu não se identificar contou que o idoso já tem a perna direita comprometida em conseqüência de uma paralisia infantil. “Por isso, se não operar logo, ele corre o risco de ter seqüelas na outra perna também”, frisou.

Para ela, os médicos devem reivindicar melhorias, mas avaliou os casos à espera de cirurgia. “Todo profissional tem esse direito assegurado. Mas eles deveriam ter verificado essas conseqüências”, diz.

O médico Orlando Ellis Mory, chefe do Serviço de Anestesiologia da AHB, informou que a decisão de suspender parcialmente as atividades foi tomada entre os especialistas da entidade após impasse no pagamento de salários. “Neste mês, nos pagaram com atraso e somente 67% do valor total. E isso vem se repetindo há seis meses”, afirma.

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Impasse

Na terça-feira passada foi realizada uma reunião entre direção da AHB e os anestesistas, mas o impasse do salário não foi resolvido. Reinaldo Rocha, superintendente da AHB, afirmou que propôs aos anestesistas saldar no dia 20 os 33% do salário de setembro que não foram creditados e pagar integralmente o mês de outubro. “Nosso maior aporte é o recebimento da verba do SUS. E ela entra neste dia. Propusemos pagar a porcentagem que ainda faltava e o mês de outubro cheio, mas não houve consenso”, diz.

“Não houve acordo porque as promessas feitas nunca são cumpridas”, critica Ellis Mory. Para ele, os especialistas são prejudicados pois contam com os vencimentos que não estão sendo pagos com regularidade. “O problema é que são 15 anestesistas que atuam integralmente na AHB e não temos mais condições”, lamenta.

Mory explica que apesar da paralisação, tem liberado todos os procedimentos necessários. A cirurgia de fêmur, como a aguardada pelo idoso, será realizada. Para ele, o problema começou depois que o dinheiro que o SUS destina aos médicos deixou de ser creditado diretamente na conta dos profissionais.

Agora, esse montante vai para a conta da AHB, que depois paga os médicos. Mas ele afirma que antes de remunerar os especialistas, a entidade acaba sanando outros problemas, como aquisição de material. “A AHB não pode viver com os honorários dos médicos subsidiando o hospital”, diz. Ele destaca que o impasse será resolvido quando a AHB apresentar uma proposta melhor. “Não estamos pedindo aumento nem nada disso. Só queremos receber os nossos honorários”, afirma.

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