“Salve. Então, tamo aqui na zona leste de Bauru, três horas da tarde quase. Passando uma pá de carro e o moleque ali, fazendo o picho”, narra o rapaz. A gravação disponibilizada no site de divulgação de vídeos Youtube foi postada há uma semana e até o final da tarde de ontem tinha sido vista por mais de 150 pessoas.
O vídeo de mais de dois minutos mostra o cruzamento das avenidas marcos de Paula Raphael e Rosa Malandrino Mondelli, no Núcleo Mary Dota. No fundo de um terreno, um rapaz vandaliza o muro. Apesar da qualidade da gravação estar muito ruim, mostra claramente o desrespeito dos jovens e a sensação de impunidade que os levam a praticar crimes como esse em plena luz do dia.
Em um site de relacionamentos, a gangues de pichadores se multiplicam e seus membros contam seus feitos e revelam suas assinaturas. Muitos nem se escondem sob perfis falsos. Outros até divulgam fotografias de seus atos de vandalismo.
Para o major Nélson Garcia Filho, comandante interino do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior, o combate à pichação depende não só do policiamento ostensivo, mas também do envolvimento da comunidade e de investimentos sociais. “Muitos deles são jovens que saem de seus bairros em direção à região centro-sul. Onde moram, não têm quadra esportiva, cinema, piscina. E eles acabam dando vazão a esse sentimento, depredando, pichando”, avalia.
Para o comandante, a falta de opções de lazer, aliada à ausência de civismo e falta de educação por parte da família acabam tornando a pichação um problema social. “E no final, cai na mão da Polícia Militar, que faz o seu papel. Apreende o adolescente e acaba sobrando para os pais ressarcir os danos”, diz. Garcia também destaca que a PM atua de forma educativa, com palestras e intervenções nas escolas.
“As forças vivas da cidade precisam se unir para reverter isso. Ao oferecer opções de lazer, você fixa o jovem em seu bairro., E quem faz esporte e cultura, não tem tempo de pensar em pichação”, defende.