Regional

Imagens flagram compra de voto

Davi Venturino
| Tempo de leitura: 4 min

Lençóis Paulista – Um esquema de suposta compra de voto com dinheiro público foi denunciado ontem em Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru). O material foi gravado com câmera escondida e envolve o assessor de gabinete da prefeitura, Edvaldo Pavanatto. No final da conversa, ele faz referência ao nome da candidata a prefeita, Izabel Cristina Campanari Lorenzetti (PSDB), conhecida por Bel Lorenzetti.

A tucana venceu a eleição no último domingo com 20.443 votos válidos (60,63%), superou nas urnas Ailton Aparecido Laurindo (PV), que obteve 13.052, e Luiz Carlos Maciel (PHS) com 224.

A prefeitura determinou ontem a abertura de sindicância para apurar os fatos. A candidata tucana nega que tenha sido beneficiada no esquema de compra de voto. Ela lança dúvidas de o material ter sido “editado”.

As imagens divulgadas registram o momento em que uma mulher vai à prefeitura, é atendida pelo assessor do atual prefeito José Antonio Marise (PSDB) e pede dinheiro para compra de 10 quilos de carne para churrasco.

O vídeo foi gravado dois dias antes da eleição sem que o assessor notasse. Pavanatto telefona a um supermercado, em que ele já teria sido sócio, e autoriza uma funcionária a liberar o alimento à mulher que o procurou. No supermercado a gravação em vídeo mostra imagem em que aparece nitidamente uma nota fiscal preenchida com o nome da prefeitura de Lençóis Paulista. A carne seria para um churrasco de estudantes. No final da conversação, o assessor faz referência ao nome da candidata.

Em outro vídeo, o diretor de Desenvolvimento do Município, Altair Toniodo, aparece entregando R$ 20 a dois rapazes que pedem dinheiro para comprar gasolina. O flagrante foi feito por um mototaxista ligado à campanha de Tipó.

O material disponível no Youtube relata dois rapazes procurando organizadores da carreata da candidata Bel Lorenzetti.

A coligação derrotada nas eleições de domingo, “Quero mais para Lençóis”, liderada por Tipó pediu para a Justiça Eleitoral, apurar se a chapa adversária foi beneficiada no suposto esquema de compra de voto. As imagens também foram exibidas ontem em dois horários do telejornal da TV Tem.

Bel Lorenzetti disse que as imagens divulgadas não a envolvem diretamente no suposto crime eleitoral. “O que eles estão mostrando não é com relação à minha candidatura. É uma pessoa que se apresenta como estudante, mas não é aluno da faculdade, para pedir ajuda para um churrasco de formatura. Essa pessoa não aparece, porque foi bem editado (o vídeo)”, disse a candidata eleita.

Segundo ela, em nenhum momento há citação do seu nome na gravação. Para a candidata eleita, como uma das pessoas pertencem à administração, houve a gravação da imagem para tentar vincular seu nome. “Não tem vínculo nenhum”, declarou.

Na gravação exibida pela TV a pessoa é identificada como Pavanatto. O assessor diz que o voto tem que ser para a Bel.

Tipó ingressou com pedido de investigação junto à Justiça Eleitoral para que se apure o conteúdo dos vídeos.

Mais denúncias

A Justiça Eleitoral de Lençóis Paulista apura mais duas denúncias contra a candidata eleita apresentada por Tipó.

Segundo a juíza eleitoral da 161.ª Zona Eleitoral, Ana Lúcia Aiello Garcia, a coligação liderada pelo PV alega que, supostamente, a candidata Bel Lorenzetti teria praticado abuso de poder, porque o marido da candidata seria um dos sócios proprietários de um jornal local.

Em outra ação, a coligação acusa a candidata tucana, supostamente, de ter discursado durante inauguração de uma obra pública do atual governo. Bel Lorenzetti já foi notificada para contestar as denúncias.

A candidata tem cinco dias para responder a representação. Depois é marcada audiência para ouvir testemunhas de defesa e de acusação. Após levantar as provas pelas duas partes, o promotor emite o parecer e a juíza profere a sentença.

A coligação do candidato Tipó anexou exemplares de jornais e fotos na tentativa de provar as acusações.

Bel Lorenzetti negou participação na inauguração de obras públicas durante a campanha. “Eu estou com a consciência tranqüila, porque eu não cometo esse deslize. Sou uma pessoa muito bem informada e jamais participaria de inauguração de uma praça pública em uma campanha eleitoral”, alegou.

Pela legislação eleitoral, no período de campanha os candidatos a cargos eletivos não podem participar de inaugurações de obra pública. A punição é a cassação do registro da candidatura ou da diplomação se o acusado já está eleito a cargo eletivo.

Com relação à denúncia de abuso de poder, a prefeita eleita também nega. Ela garantiu que o jornal, do qual seu marido é sócio, deu espaço igual aos três candidatos, inclusive com publicação de fotos e das propostas de governo. A reportagem não conseguiu localizar ontem o assessor de gabinete e o diretor de desenvolvimento.

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