Para aqueles que não têm muita opção de escolha e precisam se aposentar mais cedo, existe a alternativa de se investir em um plano de previdência privada para aumentar a renda.
Para o economista Adriano Fabri, a grande vantagem de um plano de previdência privada em comparação com outros investimentos é a praticidade, pois o banco administra os recursos para a pessoa.
Dentro da previdência privada existem duas opções. O Plano Gerador de Benefício Livre (PGBL), na opinião de Fabri, é mais vantajoso para quem declara o Imposto de Renda (IR) pelo formulário completo e cujos rendimentos são tributados na fonte. Já o Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL) é melhor para aqueles que fazem declaração simplificada e não são tributados na fonte.
Esses planos também podem ser encarados, segundo Fabri, como seguros de vida, uma vez que os herdeiros podem sacar imediatamente o dinheiro, sem necessidade de inventário e com isenção do IR.
No entanto, o economista não acha uma boa idéia alguém se aposentar muito cedo, hoje em dia. Principalmente, quem teve uma vida profissional bastante intensa. Na opinião dele, “tirar da tomada” quem estava funcionando em 220 volts, de uma hora para outra, pode dar problema de funcionamento (saúde). “É necessário ir parando aos poucos ou ter um plano para fazer atividades parecidas com o trabalho após a aposentadoria.”
Segundo Fabri, muita gente adoece depois de se aposentar. Considerando a expectativa de vida atual, em torno dos 70 anos, ele acha interessante que a pessoa consiga se aposentar aos 60 para ter uma média de dez anos de vida mais tranqüila.
Na avaliação da advogada Luciane Dal Bello Barbosa de Oliveira, que trabalha há seis anos na área previdenciária, na maioria das vezes é desvantagem optar pela aposentadoria proporcional, por causa do tempo de pedágio e do fator previdenciário. No entanto, há alguns casos que compensa.
Ela cita dois exemplos. O primeiro quando a pessoa tem grande parte do tempo de contribuição recolhido sobre um salário mínimo. Como não existe aposentadoria com valor inferior a um salário mínimo, não vai fazer muita diferença se continuar contribuindo.
Pode ser vantajoso também quando a pessoa está desempregada há algum tempo e não consegue novo trabalho. Com a aposentadoria, a pessoa passa a ter um rendimento fixo para sustentar a si e a família. Nos dois casos, entretanto, é necessário observar as exigências mínimas para a aposentadoria, como a idade e o tempo de contribuição.
O empresário Amilton Moreno de Freitas, 49 anos, paga previdência privada há 12 anos. Segundo ele, desde que assumiu mais esse compromisso - ele também contribui para o Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) -, os gastos aumentaram. Mas o sacrifício, na opinião dele, vale a pena.
Ele afirma que o sistema da Previdência Social é seguro, mas muito instável, ou seja, com o tempo, a aposentadoria paga pelo governo vai se defasando e perdendo seu poder de compra. Já o sistema da previdência privada, segundo Freitas, não oferece esse risco porque o rendimento varia de acordo com o mercado.
Além disso, o empresário considera o teto (valor máximo) pago pelo governo para os aposentados muito baixo. Atualmente, esse valor é de R$ 3.038,99. Recentemente, ele precisou do auxílio-doença por causa de uma fratura. Conseguir isso da Previdência Social deu muito mais trabalho do que da previdência privada. E o valor pago pelo governo foi bem menor. “Existe um custo? Existe, mas vale a pena”, afirma Freitas, ressaltando as vantagens de não depender apenas do governo.
Ele trabalha desde os 14 anos e pensa em se aposentar quando completar 54, ou seja, daqui a cinco anos.
Já a autônoma Maristela Aparecida Peral Monteiro, 50 anos, resolveu antecipar a aposentadoria. Foram vários os motivos que a levaram a essa decisão. Um deles foi o valor do benefício. Pelos cálculos, se ela continuasse trabalhando até completar o tempo mínimo para a aposentadoria integral, o acréscimo no valor do benefício seria pequeno. Por isso, optou pela aposentadoria proporcional.
Hoje, ela recebe um salário mínimo. Mesmo assim, acredita ter tomado a decisão certa e apresenta os argumentos. “Primeiro, ao invés de pagar, estou recebendo. Segundo, nunca se sabe quando as regras da Previdência vão mudar. E terceiro, com a aposentadoria, posso ajudar minha filha a pagar a faculdade. Quando completaria o tempo para a aposentadoria integral, minha filha já vai estar formada”, justifica.