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Anonimato dá asas ao delírio de grandeza dos internautas

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

Todo ser humano busca admiração, afeto, gosta de se sentir querido e aceito pela sociedade. Mas nem sempre isso acontece na vida real. Afinal, nem todos têm um corpo perfeito, um rosto bonito, falam de maneira correta, sem engolir os “esses”, e outras qualidades tão apreciadas pelo meio social em que vivemos.

Quando existe a oportunidade de conquistar tudo isso, mesmo que seja de forma artificial, as pessoas aproveitam. É uma maneira de aumentar a auto-estima, diz a psicóloga Regina Furigo. Segundo ela, todo ser humano tem um ego idealizado e a Internet é a ferramenta perfeita para vivenciar esse ego, em razão do anonimato. “No anonimato, as pessoas têm um comportamento diferente daquele da vida real”, argumenta a coordenadora do curso de psicologia da Universidade do Sagrado Coração (USC).

Segundo Regina, quando as pessoas estão anônimas, elas vestem uma “máscara social” para ser o que a sociedade exige que elas sejam, e não aquilo que elas são. “Quando caímos no anonimato da Internet, o delírio de grandeza vem à tona”, afirma. Isso acontece porque, na web, pode-se interpretar, como se fosse um personagem, um ator, e dificilmente alguém vai descobrir a mentira. Pelo menos, enquanto o contato ficar restrito ao mundo virtual.

De acordo com a psicóloga, é a oportunidade das pessoas viverem de forma diferente. Segundo ela, é um tipo de comportamento explicável. “Não digo que é um comportamento normal nem natural, mas que pode ser explicado”, diz. Para Regina, a coisa complica a partir do momento em que as mentiras passam a lesar terceiros e deixam de ser algo explicável.

Na opinião da jornalista Angela Grossi de Oliveira, que faz doutorado abordando o tema “Transferência de Informação pela Internet”, a mentira corre solta no mundo virtual porque é um meio habitado basicamente por jovens. O sentimento de impunidade também colabora para isso. “Posso transgredir na Internet que, na maioria das vezes, ninguém vai ficar sabendo.”

Angela cita ainda aspectos históricos para explicar tal comportamento. “No Brasil, a figura do malandro foi sempre valorizada. E na Internet isso também acontece. São os ‘espertos’ querendo levar vantagem em tudo”, alega.

Apesar da mentira ser algo corriqueiro no mundo virtual, Angela afirma que a maior parte dos internautas usa o computador para obter informações e entretenimento. Segundo ela, a Internet deverá passar por uma grande revolução nos próximos dez anos. À medida que a tecnologia vai aumentando, a pesquisadora acredita que a tendência é a mentira ir perdendo espaço na rede. É esperar para ver.

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