Tribuna do Leitor

Polícia & Críticas


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Armaram um canhão para matar uma andorinha. Tudo começou com uma nota zero à PM, na área de policiamento ostensivo e preventivo, publicada na edição de domingo passado. Na seqüência, veio o major Nelson Garcia Filho, com base nela, prestar contas do que a polícia vem fazendo. Aceitamos, reconhecendo plenamente o direito dessa explanação publicada na coluna do leitor, edição de terça-feira. Em seguida, o advogado Olavo Pelegrina (presidente do Conseg) criticou nosso enfoque. Na edição de quarta feira, Luiz Benedito Silva, da Acib, e Maria Helena Malmonge (também do Conseg) se associaram às críticas anteriores. Com certeza, outras ainda poderão vir.

A princípio, ações louváveis em defesa de uma instituição digna de respeito, com histórico de dedicação, trabalho e eficiência sob todos os aspectos, mas não imune a atos críticos. Nada tenho contra a polícia. Sei de sua atuação exemplar, atendendo instituições de vários segmentos. Tenho a lamentar que por traz de uma das críticas ao colunista do JC, existe ação de gente passional (fora do contexto), brindada por terceiro. Em memória de um passado não muito distante, não vale a pena entrar nos detalhes. Mas a carapuça tem endereço certo.

A interatividade dos personagens em questão à PM é sobretudo igual a minha. Orgulhosamente, posso agora comprovar essa identificação pelo título de “Amigo da Polícia” que guardo em minhas lembranças e que me foi contemplado pela própria PM, quando era comandante o coronel Iracy Vieira Catalano. Na época, lideramos, como jornalista, uma campanha para reforma de 15 viaturas policiais que estavam no estaleiro do quartel. Com a força e o prestígio de nossa coluna, contamos com abnegação de diversos setores do empresariado bauruense para essa empreitada que deu certo.

Explicada, portanto, a minha admiração pela corporação, tenho a acrescentar a razão do enfoque crítico, este específico na área do policiamento ostensivo e preventivo em áreas onde está a população, pois quanto às demais áreas já referenciadas, a Policia Militar é sempre nota 10. Uma pessoa da família reside no Jardim Aeroporto, e por quatro vezes consecutivas houve tentativas de assalto, embora com portão eletrônico, cerca elétrica e monitoramento.

Traumatizada, essa família procura residência em bairro fechado, mas encontra dificuldade em vender seu imóvel, pelo fato da região sul (onde está sua casa) estar estigmatizada pela constante onda de assaltos e roubos. Outros tantos vizinhos, se for o caso, atestam a veracidade dos fatos. Pessoalmente, eu também sofri tentativa de assalto (na rua Fuas de Matos Sabino). Mesmo com um portão automático enorme e forte, a tentativa ocorreu, inutilizando por completo um equipamento que teve que ser reposto posteriormente.

Uma jovem, amiga de familiares, em plena luz do dia, foi seqüestrada e estuprada por três marginais, causando traumas terríveis. Com esse emocional, critiquei a PM pela falta de policiamento ostensivo (volto a repetir, nas áreas onde está a população, e não junto ao comércio e outros segmentos). Está, portanto, aí, uma grande prioridade: acionar as lideranças e as forças vivas da cidade para pleitearem mais homens ao nosso policiamento ostensivo e preventivo. A segurança nossa de cada dia, é um bem natural com responsabilidade que cabe ao Estado.

Roberto Rufino - jornalista

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