Bairros

Sobram vagas e candidatos, faltam qualificados

Wagner Carvalho
| Tempo de leitura: 4 min

Na última quarta-feira, haviam 83 vagas de empregos disponíveis no Posto de Atendimento ao Trabalhador de Bauru (PAT). Semanalmente, apenas 30% das vagas são preenchidas sem dificuldades. De acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria Estadual do Emprego e Relações do Trabalho (SERT), os números são reflexo do mercado de trabalho.

Esse cenário se deve ao fato das pessoas cadastradas no PAT não atenderem as requisitos básicos para o preenchimento das vagas. O posto, além de coordenar as vagas de emprego disponível na cidade, também realiza uma espécie de intermediação entre as empresas que precisam de mão-de-obra e as pessoas que procuram uma vaga no mercado de trabalho.

Apesar de recolocar várias pessoas, muitas vagas disponíveis no PAT ficam em aberto porque faltam profissionais qualificados. De acordo com a assessoria, nem todas as empresas aceitam contratar um trabalhador para oferecer o treinamento na função.

Na última semana, por exemplo, sobraram no PAT de Bauru vagas para babá, supervisor externo, borracheiro, motorista, alinhador de pneus e vendedor. “Hoje, de cada dez vagas anunciadas pelo posto, apenas três são preenchidas”, explica a assessoria. “As vagas mais simples são preenchidas, mas as que exigem qualificação geralmente ficam em aberto se o contratante não flexibilizar e contratar pessoas que não atendam a todos os requisitos mas que estão dispostas a aprender”, informa a assessoria da Sert.

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Em busca de uma nova chance

A maioria deles está desempregada ou faz pequenos bicos para garantir algo no fim do mês. Todos têm consciência que só terão novamente uma assinatura na carteira de trabalho com a profissionalização. Ester Freire Pereira Mathias conhece essa realidade há oitos anos. Seu último registro em carteira foi em 2001, quando trabalhava com o controle de qualidade dos produtos de uma multinacional. De lá para cá, apenas fez trabalhos temporários.

Ela acredita que a idade talvez tenha atrapalhado o encontro de uma estabilidade no mercado de trabalho. Sem desistir, ela é uma das 360 que serão beneficiadas até o final de novembro pelo Programa Estadual de Qualificação Profissional (PEQ), coordenado pela Secretaria Estadual do Emprego e Relações do Trabalho (SERT) e lançado em 23 de junho deste ano.

Mathias integra uma das turmas que cursam aulas de “Boas práticas de fabricação e manipulação de alimentos” no Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) de Bauru. Além desse curso, outras pessoas que buscam qualificação para o mercado de trabalho têm à disposição “Técnicas de vendas no varejo e nas empresas” e “Excelência no atendimento ao cliente”.

Gilson Richard Moreira também busca qualificação para voltar ao mercado de trabalho. Ele presta serviços para um buffet na cidade, mas por indicação de uma amiga foi em busca de se profissionalizar. A esposa também participou de um cursos oferecidos pelo PEQ no Senac e ao terminar saiu empregada.

Além dos cursos oferecidos no Senac, a Sert também fechou parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), que também oferece 64 vagas.

É importante lembrar que para participar dos cursos do Senac e do Senai gratuitamente, o interessado tem de estar desempregado, ter entre 20 e 59 anos, ensino fundamental incompleto e estar cadastrado no PAT.

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Coisa pra menina

A influência dos irmãos e a curiosidade levaram Nataly Pereira Hilário, 15 anos, a escolher a mecânica automotiva como profissão. Ela conta que sempre teve vontade de conhecer a mecânica dos veículos em geral, funcionamento, motores e peças.

Em busca de matar toda sua curiosidade, a adolescente procurou o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), participou de um prova classificatória e garantiu uma vaga gratuita para aprender mecânica automotiva, uma das modalidades oferecidas pelo Curso de Aprendizagem Industrial (CAI).

Mesmo com a vaga garantida no curso, a menina queria mais. Ao começar as aulas, ela participou de uma seleção em uma multinacional de mecânica instalada em Pederneiras. “Foi uma coisa que eu não esperava”, conta Hilário.

Por isso, para ela, não existe profissão voltada para o público masculino ou feminino. “Quem acredita que coisas são assim precisa romper as barreiras criadas por si mesmo, porque o mercado já derrubou há muito tempo esse preconceito”, recomenda.

Como a adolescente começou o curso há apenas dois meses, ela ainda tem muito tempo de aprendizado até assumir a vaga que está garantida para ela na multinacional dentro do programa “Menor Aprendiz”. “Quero mais. Terminando aqui, vou buscar um curso técnico de mecânica automotiva para garantir o aperfeiçoamento”, avisa.

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