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Preso, Marcos Valério nega acusações

Folhapress
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São Paulo - Preso na carceragem da Polícia Federal em São Paulo, o publicitário Marcos Valério de Souza, que é réu no processo do mensalão, confirmou ter indicado um advogado tributário à Cervejaria Petrópolis, que havia sido multada em R$ 100 milhões, mas negou ter “encomendado” um inquérito falso para desmoralizar os agentes que autuaram a empresa.

Marcos Valério foi ouvido durante três horas e meia pelo delegado da PF Rodrigo Campos, o responsável pela Operação Avalanche, que prendeu ontem 17 pessoas (13 em São Paulo e quatro em Minas Gerais) supostamente envolvidas em três núcleos criminosos independentes, um de extorsão, outro de fraude fiscal e o último, onde surgiu o nome de Valério, de espionagem. A operação foi batizada de Avalanche porque, como num efeito dominó, a primeira investigação, sobre extorsão de empresários, levou a outras.

No depoimento, o publicitário disse não ter pedido ao advogado Ildeu Sobrinho, também preso, que recorresse a policiais para forjar um inquérito contra os fiscais da Fazenda paulista Antônio Carlos de Moura Campos e Eduardo Fridman, que, no início de 2008, multaram em R$ 104,5 milhões a empresa Praiamar, do grupo Petrópolis, dona da marca Itaipava -Valério é conselheiro da Praiamar.

“O meu cliente indicou o advogado Ildeu para ajudar na defesa da área tributária, porque a cervejaria tinha sofrido autuações na área fiscal”, afirmou o advogado Marcelo Leonardo, que acompanhou o depoimento do publicitário, encerrado à 1h30 de ontem.

Sobre as conversas telefônicas, quase monossilábicas, entre Valério e o advogado, captadas em escutas telefônicas, o publicitário afirmou que, na verdade, ele discutia a busca por um terreno em Minas Gerais que pudesse abrigar uma nova área da cervejaria.

Para a PF e o Ministério Público Federal, que se prepara para denunciar Valério sob a acusação de corrupção e formação de quadrilha, os diálogos evidenciam o interesse dos investigados em prejudicar os fiscais. O inquérito contra os auditores foi aberto pelos delegados da PF Silvio Salazar e Antonio da Hadano, ambos presos.

Pelos diálogos interceptados, segundo a PF, constata-se o interesse em intimidar os fiscais. Havia a sugestão, por exemplo, de convocar as respectivas mulheres e filhos para que falassem no falso inquérito. Existia ainda a preocupação em divulgar a investigação falsa na imprensa para desmoralizá-los.

A PF apreendeu R$ 1 milhão com o advogado Ildeu em 13 de agosto. Segundo a PF, o dinheiro é da cervejaria e seria usado para pagar os serviços dos que ajudaram no falso inquérito. O proprietário da cervejaria, Walter Faria, teve a prisão pedida pela Procuradoria. A Justiça, porém, entendeu não existir provas suficientes contra ele.

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