Esportes

Categorias de Base: Luso comemora boa fase do basquete

Por Luiz Beltramin | Com Gabriel Pelosi
| Tempo de leitura: 4 min

Administrativamente, a Associação Luso Brasileira de Bauru, que representa a cidade em importantes competições do cenário estadual, entre eles os Jogos Abertos do Interior, busca alternativas e parceiros para otimizar o trabalho nas categorias de base. No entanto, em quadra os atuais times compostos por crianças e jovens vivem um bom momento, pois cinco equipes de basquete masculino do clube estão classificados às etapas finais de campeonatos de âmbito estadual, além de três times de vôlei em fases decisivas de torneios equivalentes.

Os times pré-mini (até 12 anos), mini (até 13), mirim (até 14) e infantil (até 15) estão qualificados para as finais interligas do interior, iniciadas recentemente, com jogos do pré-mini, na quadra da Luso. Já a equipe infanto-juvenil, com jogadores até 16 anos, está na semifinal do Campeonato Paulista. “O grupo realmente é forte”, elogia Gilmar Barros, técnico do infanto-juvenil. “São atletas que, apesar da pouca idade, possuem determinação, empenho e gostam do que fazem”, valoriza o treinador, que credita o bom desempenho à disposição demonstrada por seus comandados.

“Nosso trabalho está sendo legal porque eles acreditam e os resultados estão vindo”, atribui. “Eles abraçaram a idéia (de disputar um campeonato da federação) e juntamos a competência deles à vontade e parte técnica”, enumera Barros, citando o espírito de equipe como forma de superar aspectos desfavoráveis.

Resultados

“É um trabalho que já vem de algum tempo e sabíamos que isso ia acontecer”, comemora Marco Aurélio Mococa, treinador das equipes mirim e infantil. “Os resultados são frutos de muito trabalho, nada foi pensado no imediatismo”, acentua.

Tidos como base, em termos de esporte profissional, as equipes de jovens também bebem na fonte criada por iniciativas do clube, que, em parceria com empresas e instituições da cidade, empreende núcleos de iniciação nos bairros.

Nesses pólos, os potenciais atletas passam pelo primeiro recrutamento. “Temos muitos núcleos (só no basquete são 16), multiplicados a partir deste ano com a parceria Apis (Associação de Promoção a Inclusão Social) e GRSA (principal patrocinador do time de basquete adulto), com ‘Projeto do Futuro – Cesta Mágica”, credita Antônio Carlos Azevedo dos Santos, diretor de esportes da Luso, citando outros parceiros, como FIB, ITE e Unesp.

A expansão do projeto nos bairros, acentua o diretor de esportes, é verificada com as atividades empreendidas nas escolas municipais, onde as crianças têm o primeiro contato com os treinamentos. “Leva um certo tempo para o aluno deixar o núcleo e chegar às equipes. Existe a parte educacional e social. É necessário educar para depois tirar fruto disso”, receita.

Inserido no programa, o potencial atleta, além de treinar nos ginásios da Luso ou ITE, também tem outros benefícios, como, de acordo com Antônio Carlos, carteirinha para freqüentar o clube, bem como acesso livre às arquibancadas da Luso nos jogos do GRSA/Bauru Basketball Team. “Isso é inserção social”, considera o diretor de esportes. “Além de treinar em ginásios bons, com excelentes profissionais, existe anda o privilégio da convivência com a equipe profissional de basquete e o contato direto com o técnico Guerrinha”, enfatiza.

Trabalho diferenciado

Além da concentração em transmitir os fundamentos esportivos, os treinadores dos jovens atletas têm outra missão - moldar o caráter dos alunos. “Antigamente, tínhamos problemas de evasão dos alunos após pouco tempo de atividade. Fomos atrás de psicólogos, que orientaram nossa equipe sobre como trabalhar com crianças e jovens, que abandonavam os treinos porque não se sentiam devidamente atraídos. Hoje sabemos como incentivá-los a buscar o melhor”, considera. “O importante é o aluno ter vontade de treinar, sem se sentir exigido como num quartel”, completa o diretor. “Não há como exigir muita coisa formalmente. Tem de saber dosar”, ensina o treinador Caetano dos Santos Neto, que comanda a equipe mirim. “O objetivo é tirar a meninada da rua, moldando caráter e cidadãos”, sintetiza.

Espelho

A convivência com atletas profissionais, aliada à mescla entre jovens sócios do clube com alunos oriundos dos núcleos de formação dos bairros, propicia, de acordo com técnicos e jogadores, a formação de grupos híbridos focados no mesmo objetivo. “É legal dar oportunidade para os que não tem condições de pagar para treinar e poder ficar perto dos profissionais”, considera o jovem ala-direito Pedro Fonseca Giafferis, de 13 anos. “Também é legal falar com o Guerrinha, que foi um grande jogador”, elogia o garoto, filho de associado.

“Os profissionais são um espelho para nós”, ecoa Nicolas Antunes de Souza, da mesma idade e time, encaminhado pelo projeto após iniciar no Núcleo Geisel, interrompido, de forma descontraída, pelo ala Gaúcho, do time principal. “Não vai gaguejar hein”, brincou o profissional, na quadra principal da Luso, com o garoto pouco intimidado com entrevistas. “O time adulto é incentivo para os novos, mas, no futuro, é o próprio adulto que se beneficia com eles”, define o técnico Marco Aurélio.

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