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Professor divide com pais educação social

Juliana Franco
| Tempo de leitura: 3 min

Numa época em que as crianças passam horas e horas em frente à TV ou na Internet, em que a família está cada vez menor e que pai e mãe trabalham fora, a convivência em casa é mais restrita. Neste contexto, muitos professores, além de dar a educação formal, dividem com os pais tarefas como observar se o aluno está enxergando bem, se tem déficit de atenção ou hiperatividade, se está triste ou tem qualquer outro problema.

Este é o dia-a-dia de professores, principalmente os da rede pública que, além de reclamar do salário e preocupar-se com a violência crescente nas escolas, têm de desdobrar-se na tarefa de educador social. Hoje, quando se comemora o Dia dos Professores, educadores ouvidos pelo JC relatam que em sala de aula, muitas vezes, precisam ser psicólogos, enfermeiros e, em alguns casos, pais.

“Os pais se evadiram da vida escolar das crianças e esse espaço tem sido ocupado por nós, professores. Muitas vezes, não estamos preparados para essa responsabilidade”, conta Nivaldo Aranda, professor da rede estadual de ensino.

“Lecionar é uma paixão e eu não me vejo fazendo outra coisa. O professor é referência para os alunos. Ser professor requer doação, entrega, renúncia e, acima de tudo, paixão”, afirma Nivaldo que, além das aulas convencionais, criou o projeto Sala de Leitura Monteiro Lobato, na escola estadual Irmã Arminda Sbríssia, na Vila Nova Esperança.

O projeto é baseado na pedagogia moderna e integra arte, matemática e língua portuguesa. “O meu objetivo é despertar o interesse dos estudantes pelo estudo. Além disso, quero mostrar que a interdisciplina é necessária, pois para compreender e resolver um problema de matemática, por exemplo, o aluno precisa entender a língua portuguesa”, finaliza.

Professora há 16 anos e diretora estadual do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), Suzi da Silva revela que há menos de dois meses do fim do ano letivo ainda não conhece alguns pais de seus alunos.

“Muitas crianças chegam à escola com problema, inclusive de saúde, e nós temos que detectar. Também precisamos ver questões psicológicas e as dificuldades pelas quais os alunos passam”, explica.

Essa falta de interesse pela educação dos filhos em, muitos casos, é justificada pela necessidade que os pais têm de trabalhar. “No sistema capitalista, os pais passaram obrigações aos educadores. Hoje, além de formador e mediador, fazemos o papel de pais”, confirma Eliane Koti, professora há 25 anos e integrante do Sindicato dos Servidores Municipais de Bauru.

E, para atender essa exigência social da educação, os professores precisaram se atualizar. Eliane conta que a cobrança por qualificação profissional, por meio das instituições de ensino, triplicou se comparado às de 20 anos. “O professor precisa fazer cursos complementares, mestrado, doutorado, se especializar. Tudo isso sem incentivo. Essa é uma briga antiga da categoria, pois o ensino busca novos métodos e nós precisamos nos adequar”, opina Eliane, que é educadora infantil.

A violência verbal e física é outro problema que os professores precisam enfrentar. Para Suzi, a violência é conseqüência do atual modelo de ensino que adotou a educação continuada - os estudantes não repetem de ano. “Com o sistema adotado, os alunos não conseguem acompanhar o aprendizado e isso desmotiva”, opina.

Segundo Eliane, a violência do mundo é refletida dentro das escolas. “Ela é vista diariamente na mídia, principalmente na Internet. Hoje, existem sites, blogs que mostram a violência como algo da moda e indisciplinam as crianças”, avalia. “Os alunos precisam entender que tudo deve ter regra, os comportamentos devem ser estabelecidos dentro dessas regras”, acrescenta a professora.

No final da tarde de ontem, a escola estadual Irmã Arminda Sbríssia preparou uma festa em homenagem aos 70 professores que atuam na unidade. Eles assistiram ao show da dupla Ricardo e Gehan e se interagiram. “A festa foi uma forma que encontramos para homenagear o trabalho que eles desenvolvem na instituição e agradecer todo o empenho e dedicação durante todo o ano”, explicou Maria Cecília, diretora da escola.

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