Alguns minutos e pronto! A pequena Mikaelle estava lá, de bruços na piscina, sem conseguir respirar. Foram apenas cinco minutos longe dos olhos da mãe, tempo suficiente para que o irmão mais velho colocasse a menina de apenas 1 ano e quatro meses dentro da água.
Por pouco, não houve uma tragédia. A mãe, a operadora de caixa Ellen Tatiane dos Santos Soares, 19 anos, deixou as duas crianças brincando no quintal e foi atender ao telefone. Quando voltou, viu o filho Bryan, 3 anos, sentado em cima de Mikaelle, dentro da piscina da família, que estava com água a pouco mais de 30 centímetros de altura.
Desesperada, Ellen socorreu a menina inconsciente e, ao mesmo tempo, acionou o Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) de Bauru, que a orientou sobre como iniciar as manobras de ressuscitação. “Ela estava com a boca roxa e o rosto pálido. Fiquei apavorada, mas fui massageando o peito dela devagarinho, fiz respiração (ventilação) na boca e no nariz e ela foi voltando”, conta a mãe.
O susto aconteceu ontem no Jardim Tangarás, em Bauru, por volta das 13h30, e, embora Mikaelle tenha sobrevivido, o risco foi grande. Segundo pesquisa realizada pelo Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, esse tipo de ocorrência é a principal causa externa de morte infantil, representando 27,6% dos casos. Em seguida, vêm os atropelamentos (25,7%), outros acidentes de transportes (18,5%) e sufocamentos acidentais (16,8%).
De acordo com o tenente do Corpo de Bombeiros José Milton Franco de Arruda, quando as temperaturas sobem, os casos de vítimas de afogamentos invariavelmente também aumentam. Por isso, nessa época, a atenção dos pais deve ser redobrada.
Ele destaca que crianças de até 5 anos são mais vulneráveis a afogamentos por não terem total discernimento do perigo que correm ao colocar a cabeça dentro da água. “Como, em uma situação dessa, a primeira reação delas é tentar respirar, automaticamente o pulmão irá receber muita água e a morte pode vir por falta de oxigênio”, aponta.
Portanto, todo cuidado é pouco com crianças próximas a piscinas, baldes, bacias, tanques de lavar roupa, lagoas e praias. Arruda explica que cada situação requer um cuidado diferenciado, mas a regra geral é que os pais nunca deixem os filhos fora do seu campo de visão.
“O ideal é colocar grades de proteção em volta da piscina para restringir o acesso ao local. Baldes e bacias devem ficar fora do alcance da criança e os tanques, vazios e destampados”, enumera.
Para Arruda, um outra dica que pode ser muito útil na prevenção de afogamentos é matricular a criança, desde cedo, em uma escolinha de natação. No entanto, se o acidente acontecer, a regra é retirar a criança do meio líquido o mais rápido possível e acionar o Corpo de Bombeiros, que transmitirá as primeiras orientações para reanimar a vítima, enquanto uma viatura de resgate se dirige ao local.
“Se a vítima estiver inconsciente, pode ser que ela esteja com uma parada cardiorrespiratória. Neste caso, será necessário realizar massagem cardíaca e ventilação, mas com uma pressão adequada ao porte físico daquela criança”, alerta Arruda.
Foi esse o procedimento adotado por Ellen, na tarde de ontem. Socorrida, Mikaelle foi encaminhada ao Pronto-Socorro Central e só foi liberada à noite. De volta para casa, ela deverá permanecer, segundo a mãe, um bom tempo longe da piscina.