Compareci na noite de 14 de outubro ao Teatro Municipal, no qual tive a satisfação de assistir ao espetáculo comemorativo dos 33 anos do Coral Arte Viva, feliz iniciativa da maestrina Sonia Berriel, atualmente um dos mais importantes nomes da vida musical e cultural de nossa cidade. Viveu o Teatro Municipal, naquela oportunidade, uma noitada de gala que ficará registrada para todo o sempre na vitrina de suas melhores exibições.
O público, representado por bauruenses dos mais diferentes segmentos de nossa sociedade, não regateou aplausos à maestrina e aos seus pupilos durante a execução de obras primas de um repertório eclético e de bom gosto, inclusive de páginas musicais em homenagem ao Centenário da Imigração Japonesa. Os que lá estiveram, podem se considerar como privilegiados, pois o espetáculo agradou ao mais exigente apreciador da boa música.
Acomodados na poltrona, ao lado da minha esposa Helena, por alguns momentos voltei no tempo e pela minha mente começaram a desfilar nomes de músicos, maestros, professores que no passado presentearam o nosso povo com eventos inesquecíveis. Lembro da Orquestra Sinfônica dirigida pelo maestro Barberi, de Nair Araújo Antunes, Miguel Ruiz, Efísio Anneda, Oscar Mendes, Terezinha Bortone (esta anualmente homenageada pelos seus ex-alunos), Renato Tambara, Mauro de Campos, Aymoré do Brasil e outros que igualmente foram destaque na caminhada musical da cidade.
Ao término do Recital Comemorativo aos 33 anos do Coral Arte Viva, seus integrantes e o público se envolveram, no saguão, em demorados abraços de confraternização, num acontecimento poucas vezes vistos na Bauru atual. Nessa seqüência de sucessos, Sonia Berriel demonstra que a iniciativa particular, mesmo sem a ajuda do poder público, mas com o apoio particular, consegue sobreviver graças a um trabalho perseverante, honesto e de reflexos positivos na história da vida cultural de Bauru.
Sinto-me perfeitamente à vontade em enaltecer a vitoriosa trajetória de Sonia Berriel, pois com ela tive o privilégio de participar, por quatro anos (1993 a 1996), de uma convivência feliz e de influentes realizações na Secretaria de Cultura. Com orgulho digo e repito, fui um dos 400 bauruenses privilegiados na festa dos 33 anos do Coral Arte Viva.
Luciano Dias Pires - historiador e jornalista responsável pelo Bauru Ilustrado