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Tarso, aluno e professor


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Como professora, em um trabalho coletivo, convivo semanalmente com 600 jovens, e participo da formação de cada um. Uma atividade profissional complexa e desgastante, onde todos aprendem e ensinam. Aproveito o espaço da Tribuna nessa semana em que celebramos jovens e professores, para expressar minha admiração pelo aluno Tarso Caldato Teles. Há quatro anos soube que seria professora de alguém muito querido e conhecido no Colégio. Ele chegara ao 7º ano do Ensino Fundamental e uma nova experiência se apresentava: trabalharia com um jovem que teve paralisia cerebral sem comprometimento mental. Tive algumas dúvidas, conversei com alguns colegas, mas foi quando as aulas começaram que entendi realmente o que viveria dali pra frente. O primeiro contato foi um largo sorriso e em seguida, a Luciana, sua companheira nas aulas, facilitadora da comunicação, intérprete (da razão e da emoção) e amiga, me explicou como ocorria o trabalho com nosso aluno tão especial. Aos poucos, conheci um pouco do universo do Tarso e a convivência semanal tornou-me também sua aluna.

A turma toda unida, as aulas enriquecidas. Suas experiências foram partilhadas e me recordo de algumas especiais. Por exemplo, quando nos contou sobre o preconceito que sofre diante dos olhares de quem não o conhece, e sobre as barreiras físicas para seu deslocamento diário. Também em uma das aulas sobre o Nazismo, dividiu seu conhecimento a partir da fé que professa e esclareceu algumas questões aos colegas. No último mês escolheu para expor uma música engajada da banda inglesa Coldplay, que revela as conseqüências negativas do progresso e da ciência, e a carência de afetividade. Enfim, tantos momentos gratificantes: suas brincadeiras no “fundão”, o seu batismo, “O Pequeno Príncipe”, a tão aguardada formatura...

Soube que nosso amigo não cursará o Ensino Médio, pois quer se dedicar a um trabalho voluntário, quer se realizar nesse outro projeto. Assim, quero registrar essa experiência coletiva que envolveu centenas de pessoas no tempo em que esteve conosco. Aprendemos sobre nossas próprias limitações, relacionamentos, família, amor, tolerância, amizade, dor, respeito, acolhida, dedicação, esforço e superação. E, como educadores, sei que podemos “cantar e cantar e cantar, a beleza de ser um eterno aprendiz”. Obrigada aos familiares e à incansável Luciana, pela confiança e convivência. “Tu serás sempre meu amigo” e esse é o meu presente nesse outubro de 2008.

A autora, Rosane Pimentel, é professora de história do Colégio Fênix/Anglo

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