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A pobreza do segundo turno


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Os que esperavam um segundo turno das eleições com mais esclarecimento das propostas de governo e de indicação das potencialidades dos candidatos, favoráveis à sua implementação, devem estar decepcionados. A campanha está se caracterizando pelo marketing de desqualificação do adversário. Até parece cópia do que está ocorrendo nos Estados Unidos entre Barack Obama e John McCain. Cada candidato espera ganhar votos não pelos seus méritos, mas pela perda de votos do adversário, na medida em que puder desqualificá-lo. O propósito é ganhar pela fraqueza do adversário, esquecendo-se que o mérito da vitória está na derrota de um oponente forte. Como no futebol, não há vantagem em derrotar um time fraco. E pior ainda é se perder.

A conclusão a que se chega, acompanhando a propaganda aqui em Bauru, em São Paulo, no Rio e em outros lugares em que está havendo o segundo turno, é que os candidatos não possuem, efetivamente, uma proposta para governar o município. Eles juntaram todas as reclamações da população e construíram promessas de solução, mesmo sabendo que não poderão cumpri-las. Não há diferença com as eleições passadas, são os mesmos problemas e as mesmas promessas. Carlos Heitor Cony, em uma de suas crônicas, fala que apesar de os historiadores dizerem que São Paulo e Rio de Janeiro têm mais de quatrocentos anos, elas não existem para os atuais candidatos, porque falta tudo: escolas, ruas asfaltadas, postos de saúde e hospitais, que agora eles prometem fazer.

Os marketeiros de Marta Suplicy criaram-lhe um problema sério com o questionamento do estado civil do candidato Gilberto Kassab. Neste caso é bem provável que a tentativa de prejudicar a candidatura do adversário resulte em perda de votos para a própria candidata. Seria melhor para a sua imagem e em respeito aos paulistanos, que ela mostrasse o que fez, sem distorção de informações, e o que se propõe fazer aproveitando a experiência que teve como prefeita. Os marqueteiros de Marta também procuram ligar Kassab ao ex-prefeito Celso Pita, no sentido de desqualificá-lo, quando o que realmente importa é a sua avaliação como atual prefeito, em que a responsabilidade é dele e não de outro. E a votação no primeiro turno mostrou isso.

Aqui em Bauru os candidatos também entraram nesse esquema. Pelas condições em que a cidade se encontra, o prefeito Tuga Angerami ficou com a imagem desgastada e os candidatos a estão usando para diminuir as qualidades do adversário. Quem trabalha como secretário municipal ou presidente de uma autarquia municipal tem a responsabilidade funcional pelo órgão que dirige, e deve obedecer as decisões do prefeito. O que deve servir para julgamento, como candidato, é a competência com que desempenhou o cargo. Se o prefeito estivesse com uma boa avaliação, mas o desempenho do candidato no cargo de secretário ou presidente de autarquia tivesse sido medíocre, a ligação da sua imagem com a do prefeito de nada valeria. Então, também não é correto fazer uma ligação em sentido negativo.

Aos eleitores compete expurgar os fatos negativos da propaganda dos candidatos e tentar pesar o que encontrou de positivo em cada uma, para daí tomar a sua decisão por aquele em que o balanço foi favorável. Não é uma tarefa fácil, mas em um dos dois deveremos votar e rezar para que o eleito seja bom para Bauru.

O autor, Pedro Grava Zanotelli, é consultor e ex-presidente da Ordem dos Velhos Jornalistas de Bauru

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