O anúncio de que o governo destinará até R$ 4 bilhões para a construção civil animou ontem as empresas do setor listadas na Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo). Apesar de o Ibovespa (índice de preços médios praticados na Bolsa) ter caído 1,01%, a maioria das construtoras registrou fortes valorização de seus papéis.
As maiores altas ficaram com Abyara (20,12%), Tenda (15,26%) e Agra (10,71%), porém as ações de tais empresas ainda permanecem cotadas a menos de R$ 2. Empresas com papéis mais valorizados também subiram bastante hoje, como a Rossi (11,94%), Klabin Segall (9,71%), Cyrela (9,21%) e PDG Realty (5,40%).
As ações da Gafisa também subiram 7,41%. Além do anúncio do governo, foram impulsionadas pela venda de 5% de seus ADRs (papéis em circulação na Bolsa de Nova York) ao milionário americano Sam Zell. Hoje, o banco Fator melhorou a recomendação dos papéis da Gafisa, classificando-os como atraentes para compra.
O setor de construção civil foi o mais penalizado, mesmo antes de o início da crise. De agosto até a semana passada, as ações das empresas da área tinham perdido, em média, 60% de seu valor.
As construtoras já vinham sofrendo antes porque, segundo analistas, com a abundância de liquidez, muitas empresas pequenas e despreparadas abriram seu capital. Porém, fizeram planejamentos inadequados e, com a restrição ao crédito, não manterão a previsão de lançamentos. Várias delas reviram suas metas nas últimas semanas.
O anúncio feito pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, anteontem, no entanto, parece ter dado nova injeção de ânimo ao setor, que tem demanda por 8 milhões de moradias. Apesar de não ter entrado em detalhes, o ministro disse que o reforço de R$ 4 bilhões deverá ser feito via BNDES.
O crédito seria liberado, segundo ele, porque as empresas tinham sinalizado com deficiência em capital de giro. “O governo está montando um sistema para viabilizar esses investimentos’’, afirmou Mantega.