São Paulo - A Polícia Civil de Alagoas afirma que o pai da menina Eloá Cristina Pimentel, assassinada na sexta-feira após ficar 100 horas refém do ex-namorado Lindemberg Fernandes Alves, é integrante de um grupo de extermínio e acusado de, em 1991, metralhar e matar o delegado Ricardo Lessa, irmão do ex-governador de Alagoas Ronaldo Lessa (1999-2006).
O homem que dizia se chamar Aldo José da Silva e que foi identificado ao desmaiar em frente ao prédio onde a filha estava em cárcere privado é, segundo a Polícia de Alagoas, o ex-cabo da PM Everaldo Pereira dos Santos, acusado de crime de pistolagem no Estado.
Aldo ou Everaldo, segundo o delegado-geral da Polícia Civil alagoana, Marcílio Barenco, tem um mandado de prisão em aberto, por suspeita de participação nas mortes de Lessa e do motorista dele, Antenor Carlota, em outubro de 1991.
O pai de Eloá está foragido desde 1993, quando teve a prisão preventiva decretada. Também é considerado desertor da Polícia Militar do Estado.
Everaldo, segundo o juiz Geraldo Amorim, da 9.ª Vara Criminal de Maceió, integrava a “gangue fardada”, grupo de extermínio que recebeu o nome por ser operado por policiais do Estado e comandado pelo ex-coronel da PM Manoel Francisco Cavalcante.
Segundo a denúncia, Lessa foi morto porque investigava homicídios cometidos pela organização criminosa.
Everaldo negou anteontem as acusações e diz que fugiu por ser um “arquivo vivo”.
Outro nome de Eloá
Segundo a Polícia Civil de Alagoas, no registro civil de Eloá, localizado ontem em Maceió, o sobrenome da garota não é Pimentel da Silva, como consta na documentação de identidade expedida em São Paulo. Na certidão de nascimento, o nome completo dela é Eloá Cristina Pereira Pimentel.
O nome da mãe de Eloá (Ana Cristina Pimentel da Rocha) e a data de nascimento da garota (5/5/1993) são os mesmos nos dois documentos.
“Deram publicidade em São Paulo de que o nome dela é Eloá Cristina Pimentel da Silva, com o pai, Aldo José da Silva. Não é. O nome do pai (no registro civil) é Everaldo Pereira dos Santos e o dela, Eloá Cristina Pereira Pimentel”, disse o delegado-geral Barenco.
A Polícia Civil de Alagoas enviou ontem para a Polícia Civil de São Paulo a impressão datiloscópica de Everaldo para comparação com sua impressão digital no documento de identidade paulista. O mandado de prisão e as fotos de Everaldo já haviam sido enviadas na manhã de anteontem por e-mail para São Paulo.
A suspeita sobre a verdadeira identidade do pai de Eloá começou entre os moradores do bairro Prado, em Maceió, onde a família morava antes de se mudar para São Paulo. Vizinhos reconheceram Everaldo pelas imagens da TV e comentaram a semelhança com a imprensa.
A mãe do ex-cabo, com 82 anos, ainda vive em Maceió. Ontem, em entrevista telefônica, o filho foragido pediu aos repórteres que não a incomodassem. “Por favor, deixem ela em paz”, disse.
Everaldo não participou do velório, ocorrido anteontem, nem do enterro de Eloá, ontem pela manhã.
Durante o cárcere da adolescente, foi noticiado que a família da menina havia se mudado de Alagoas para São Paulo quando ela tinha dois anos.
O juiz Geraldo Amorim disse ter sido alertado anteontem por uma promotora que atuou no caso sobre a semelhança do pai da menina com Everaldo.
Everaldo deverá ser transferido para Alagoas assim que for localizado. A Polícia Civil de Alagoas diz que há informação sobre outros três mandados de prisão contra Everaldo, mas que ainda não conseguiu localizá-los. Os processos estão arquivados temporariamente até que o réu seja localizado.