La Paz - Depois de mais de 18 horas de sessão, o Congresso da Bolívia aprovou ontem a realização de um referendo no próximo dia 25 de janeiro sobre a nova Constituição do país. Os legisladores decidiram pressionados pela vigília que milhares de camponeses e mineiros pró-Morales realizam desde a tarde de ontem na praça Murillo, em frente à Casa.
Os manifestantes chegaram à praça em uma marcha que durou uma semana e que, tanto na saída quando na chegada à capital La Paz, foi liderada pelo presidente boliviano, Evo Morales. O presidente, inclusive, chorou ao lado de funcionários e dirigentes sindicais quando soube da aprovação do referendo, informou a agência de notícias Efe.
Foi Morales quem pediu ao Congresso que permanecesse em sessão desde ontem em um esforço para aprovar a convocatória do referendo.
Para que situação e oposição fechassem um acordo em relação ao texto de Constituição que deverá passar pelo referendo, Morales desistiu de concorrer duas vezes à reeleição. O texto atual, se aprovado, permite que ele concorra à reeleição apenas uma vez, no pleito geral que deverá acontecer no final de 2009 - ele queria concorrer também em 2014.
Em relação ao texto de Constituição aprovado em dezembro passado na localidade andina de Oruro, houve mudanças em mais de cem dos 411 artigos.
A aprovação levou Evo Morales e seus seguidores a festejarem pelas ruas de La Paz. Morales, líderes sindicais nacionais e vários ministros cantaram uma canção popular boliviana chamada “Viva minha pátria Bolívia”, e depois dançaram na praça central, entre o Congresso e o Palácio do Governo.