Não se fala de outra coisa. Até por que foi, realmente, chocante acompanhar o fato: o sequestro da menina Eloá. Mas acho que as discussões sobre o assunto são necessárias. As falhas na condução da negociação, na invasão e outras mais que tenham ocorrido devem ser analisadas por pessoas que sejam preparadas para isso. Mas observando o comportamento do sequestrador a gente percebe que ele tem um comportamente machista: ele podia terminar o relacionamento, mas ela não, afinal ele é homem. Parece que só ele podia ter a palavra final. Nesse sentido é bom que a gente repense, também, a educação dos nossos filhos.
Quando a gente diz para os meninos “você tem que cuidar da sua irmã”, certamente já estamos dizendo que ele tem autoridade sobre ela. Às vezes a mãe se vê sozinha para criar seus filhos, por viuvez ou separação e tenta compensar a falta do pai com mimos desnecessários, achando que não dizer não pra eles é uma forma de torná-los mais felizes ou dizem para o filho “agora voce é o homem da casa” e daqui a pouco ele vai dizer até o que a mãe ou a irmã tem que vestir (isso é mais comum do que se pensa) e o caminho para que esse garoto pense que é dono da namorada ou esposa no futuro está mais do que aberto.
Tem mulher que depende da “autorização” do namorado ou marido até pra cortar o cabelo, que é uma coisa no corpo dela. A gente tem que ser feliz. Amor é liberdade. Amar alguém não é dominar a pessoa amada. O domínio escraviza ambos. Com certeza é um momento para reflexão.
Luciana Tito de Souza