A Justiça ouviu na tarde de ontem as duas últimas testemunhas de acusação no processo sobre a morte do mecânico Jorge Luiz Lourenço, ocorrida em abril do ano passado em Bauru durante perseguição pela Polícia Militar. Um cabo da PM e uma mulher que viu parte da perseguição dos policiais ao mecânico foram ouvidos e questionados pelo juiz Benedito Antônio Okuno, pela defesa dos acusados pela morte do rapaz e também pelo Ministério Público. A audiência para o depoimento de 15 das 24 testemunhas arroladas pela defesa dos policiais foi marcada para o dia 12 de janeiro do ano que vem.
Os ex-policiais militares Lincoln César Cares, Renato Valderramas de Favari e Ricardo Antônio do Amaral, que foram denunciados por homicídio doloso qualificado e por fraude processual no caso, também acompanharam os depoimentos.
A audiência durou cerca de duas horas e meia. Para o promotor João Henrique Ferreira - que substituiu o colega que conduz o processo –, os testemunhos de ontem complementaram dados do caso. “Nos deram notícias sobre as circunstâncias do fato. Ela (Dulcinéia da Silva) presenciou a motocicleta em fuga de viaturas e afirmou que escutou um ou dois tiros na seqüência”, informa. Já o cabo Maurício Nascimento afirmou ter ouvido as comunicações sobre a ocorrência e que, ao chegar no local dos fatos, encontrou uma porção de droga a 30 ou 40 metros de onde a motocicleta estava. “Apenas confirmaram dados que já existiam e não ajudaram a esclarecer como foram os tiros em si”, avalia o promotor.
Para a advogada dos ex-policiais Fernanda Cabello da Silva Magalhães, os depoimentos sustentam a tese de legítima defesa por parte de seus clientes. “Foi demonstrado que ocorreu de acordo com o que policiais já falaram em seus depoimentos”, pontua. Para ela, pela cronologia da ação, os ex-policiais não teriam tempo de forjar uma cena de crime.
O advogado Marcos Silvestre, que representa a família do mecânico e atua como auxiliar de acusação, os depoimentos dão peso à denúncia do Ministério Público. “Em análise preliminar, o primeiro depoimento acabou não acrescentando nada demais e o segundo confirmou o que estava na denúncia. Eles disseram que dispararam 10 tiros no total e a testemunha disse que foram apenas dois, reforçando a denúncia do Ministério Público”
No dia 12 de janeiro será realizada a audiência para ouvir parte das testemunhas de defesa. “Arrolamos peritos, policiais militares, funcionários do PS (Pronto-Socorro) e o delegado plantonista que registrou a ocorrência para serem ouvidos”, elenca. Após o encerramento das audiências, será realizada a alegação das partes e, então, será decidido se o caso vai ou não a júri popular.