Regional

Reforma da ponte Campos Salles ficará para próxima gestão

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Barra Bonita - A reforma da Ponte Campos Salles em Barra Bonita(68 quilômetros de Bauru) vai ficar para a próxima gestão. O atual prefeito Mário Donizette Teixeira (PCdoB) disse, durante entrevista coletiva ontem, que vai tentar agilizar o processo. Porém o mandato dele termina em 31 de dezembro deste ano.

“Não temos idéia de como vamos começar. Como estamos em final de ano e de mandato, temos que encaminhar pedidos de recursos. Com verba do município, a obra será muito lenta. Vamos recorrer aos governos estadual e federal, pedir ajuda para deputados conhecidos, ministros, enfim deixar encaminhado para a obra ser executada.”

Teixeira explica que, apesar de não ter os custos exatos para a restauração da ponte, que liga Igaraçu do Tietê a Barra Bonita, ele calcula que o investimento será maior do que o município pode arcar. “Não levantamos custos da obra, mas numa análise preliminar, chapas, parte submersa, pilares de concreto implica em valor muito alto e o município não tem como arcar com essas despesas. Para recuperar os pilares de concreto submersos na água será necessário contratar empresa especializada.”

Jogo

Ele aposta no tombamento pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico Arqueológico Artístico e Turístico de São Paulo (Condephaf), um processo que se arrasta desde 1989. “Em 2007 recebemos um comunicado que o processo de tombamento da ponte estava em análise, foi a última informação. Eu acredito no tombamento porque a ponte é de 1915 e tem sua importância histórica. Se tombada, vem recursos para a recuperação. Acho que teremos recurso porque a ponte é muito importante para Igaraçu e Barra e toda a região.”

Ele descartou a possibilidade da construção de nova ponte. “A construção demandaria mais recursos. A recuperação da Campos Salles ainda é a melhor alternativa. Para a recuperação a ponte da SP-255, conhecida por ponte do açúcar é a alternativa.”

A ponte Campos Salles, conforme matéria do JC na edição de ontem, está em processo de corrosão na parte inferior e nos pilares de concreto na parte submersa no rio Tietê. Embora o laudo do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) não tenha sido concluído ainda, o órgão recomendou a interdição imediata do tráfego de ônibus e caminhões. O tráfego de veículos de passeio está liberado.

Nos próximos dias, ônibus e caminhões estarão proibidos de transitar. A fiscalização ficará a cargo da Polícia Militar (PM) e Departamento Municipal de Trânsito (Demutran).

Para o prefeito, a instalação de uma trava de altura será a solução para impedir a movimentação de veículos pesados. “Vamos instalar um dispositivo que impede caminhões e ônibus. Ele trava pela altura.

Se não parar o tráfego pode adiantar o processo de deterioração.”

Transporte coletivo

Nos próximos dias, o atual prefeito pretende se reunir com o prefeito eleito de Igaraçu do Tietê Guilherme Fernandes (PSDB) e com as empresas municipais e intermunicipais para resolver a questão do transporte coletivo. Diariamente moradores de Igaraçu fazem a travessia para trabalhar em Barra Bonita. O trajeto inverso também é adotado.

Segundo Teixeira, um acordo entre as empresas poderia minimizar o problema. “As empresas poderiam colocar ônibus até a ponte e os usuários atravessarem a ponte a pé. Do outro lado, outro coletivo terminaria a viagem.”

Outra alternativa, caso ocorra a interdição seria fazer a travessia por balsa. “Há ainda a opção da ponte do açúcar, cerca de um quilômetro distante. Os ônibus circulares precisam de autorização da Artesp.”

____________________

Viver sem a ponte

A restrição e até o risco de fechamento definitivo ao trânsito da ponte Campos Salles vai mexer com a vida tanto de quem reside em Barra Bonita quanto de quem mora em Igaraçu do Tietê. Estima-se que diariamente entre 5 e 6 mil pessoas atravessem a passagem.

A pensionista Fátima dos Santos mora em Igaraçu do Tietê e vai para Barra Bonita toda vez que precisa fazer pagamentos em lojas e receber a pensão no banco. Na maioria das vezes faz o trajeto a pé. No entanto, ela acredita que se a ponte for interditada, vai atrapalhar sua vida.

Comentários

Comentários