São Paulo - Sob vaias e aplausos de policiais civis em greve, deputados na Assembléia Legislativa de São Paulo discursaram sobre a paralisação da categoria, iniciada dia 16 de setembro. Com faixas e megafones, cerca 400 policiais civis lotaram o plenário da Casa. A manifestação dos policiais civis hoje ocorre de maneira pacífica. Há uma semana, o protesto da categoria, que pretendia chegar ao Palácio dos Bandeirantes - sede do governo - terminou em confronto com a Polícia Militar.
O deputado Roberto Felício, líder do PT na casa, afirmou ao plenário que a proposta de aumento apresentada pelo governo não atende às demandas da categoria.
“Apresentaremos quantas emendas forem necessárias para alterara esse projeto”, disse. Felício refutou as afirmações do governador José Serra (PSDB) de que ele estaria presente na manifestação da quinta-feira passada. “Quem tem uma associação não precisa de ajuda para organizar a greve. Eu não preciso organizar greve de categoria que não a minha”, afirmou o deputado.
Já o deputado Fernando Capez (PSDB) foi vaiado em grande parte de sua fala. “Estou sendo recebido com vaias. Estão vaiando um deputado que sempre defendeu a Polícia Civil”. Capez defendeu o aumento salarial dos policiais civis, mas criticou a greve. “O melhor caminho não é o enfrentamento. A greve não é o melhor caminho. Devemos partir para a conversa”, disse o deputado.
Outro parlamentar que foi muito vaiado foi o líder do PSDB, Barros Munhoz. Quando o parlamenta elogiou Serra, os policiais vaiaram, levantaram-se e viraram as costas ao deputado. O presidente da Casa, deputado Vaz de Lima (PSDB), suspendeu a audiência por três minutos para a retomada da ordem. Retomada a sessão, os grevistas, mais calmos, ouviram o deputado Celso Giglio (PSDB), afirmar que há politização por trás do movimento.
“Isso (a politização) é errado. Eu abomino os que não vestem a camisa da Polícia Civil e participam da greve”, disse o deputado, também sob vaias do plenário.
Nesta semana, Serra enviou à Assembléia cinco projetos de lei que abrigam, entre outras medidas, o reajuste dos policiais de 6,5% no salário-base a partir de 1 de janeiro do próximo ano e mais 6,5% a partir de janeiro de 2010. De acordo com a assessoria da Assembléia, os projetos estão abertos para emendas e não estão sob regime de urgência então, não têm prazo para ir a votação.
A categoria reivindica reajuste de 15% imediatos e mais duas parcelas de 12% nos próximos dois anos. Além disso pedem aposentadoria especial e a incorporação aos aposentados cumpre parcialmente a demanda. Diferentemente do protesto realizado pelos policiais civis na semana passada, a manifestação de ontem é pacífica. Os policiais se concentraram na avenida Sargento Mário Kozel Filho e, aproximadamente às 14h30, entraram na Assembléia.
O protesto é similar ao ocorrido no dia 30 de setembro, também na Assembléia. Naquela data, cerca de mil policiais grevistas de todo o Estado se reuniram no local para buscar apoio de deputados ao movimento grevista. No plenário, com faixas de protesto, os policiais ouviram pronunciamentos de parlamentares pró e contra a greve.