Bagdá - Ao menos 11 pessoas morreram e outras 22 ficaram feridas na explosão de um carro-bomba em um atentado suicida que visava o comboio do ministro iraquiano do Trabalho, Mahmud Jawad al-Radi, informaram fontes dos ministérios do Interior e da Defesa.
O ministro, membro da Aliança Unificada Iraquiana (AUI, dos xiitas), saiu ileso do atentado. “O ministro estava no comboio, mas não ficou ferido”, afirmou o porta-voz do Ministério, Abdallah Lami.
Entre as vítimas do atentado estão três seguranças do ministro, entre eles um sobrinho do ministro, afirmou ainda o porta-voz. O atentado ocorreu às 8h15 de ontem (3h15 de Brasília) na Praça Tahrir, em Bagdá.
“Foi um crime coordenado por terroristas que pretendem bloquear os avanços e a reconstrução do Iraque’’, continuou Lami. Até o momento, contudo, nenhum grupo assumiu a autoria do ataque.
Irã quer união contra EUA
O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, pediu ontem aos iraquianos que se “mantenham unidos’’ contra “os planos dos EUA de provocar tensões em seu país”, divulgou a agência de notícias do Irã Isna.
Ahmadinejad fez as declarações durante uma reunião ontem em Teerã com o presidente da Região Autônoma do Curdistão iraquiano, Massoud Barzani.
“Os grupos iraquianos podem estabelecer a segurança no Iraque através da unidade e a solidariedade”, disse Ahmadinejad, para quem os EUA “não estão contentes com a situação atual no Iraque e tratam de introduzir tensões e desacordos neste país”.
“Os americanos demonstraram que não se comprometem com nenhum acordo e sacrificarão inclusive seus próprios amigos se assim demandarem seus interesses”, afirmou Ahmadinejad, acrescentando que “para os EUA os sunitas, os xiitas e os curdos são todos iguais”.
O líder iraniano disse ainda que o propósito dos EUA “é impedir a formação de um governo forte no Iraque para seguir com o “saque’ do país”.
Por sua vez, Barzani agradeceu o apoio do Irã e informou ao presidente da República Islâmica da situação atual em seu país.
Iraque não precisa da ajuda
O Iraque não precisa do Irã para ajudar a defender seus interesses, disse ontem a secretária norte-americana de Estado, Condoleezza Rice, depois de Teerã acusar Washington de promover um acordo que lhe permitiria continuar “saqueando” o território iraquiano.
“Acho que os iraquianos podem defender seus interesses sem os iranianos, muito obrigada”, disse Rice.
Na véspera, ela disse a jornalistas que as forças iraquianas ainda não são capazes de defender o Iraque sozinhas, e que por isso Bagdá deveria aceitar o plano que regulamenta a permanência das tropas dos EUA a partir do ano que vem, quando expira o mandato da ONU para a ocupação.