Política

Interior: só Bauru e Rio Preto têm eleição

Por Alcir Zago | Com Allan de Abreu, do Diário da Região de Rio Preto
| Tempo de leitura: 5 min

Rio Preto e Bauru seguem como exceções na disputa eleitoral entre as maiores cidades do Interior paulista. Das nove cidades interioranas com mais de 200 mil eleitores, onde, em tese, há possibilidade de segundo turno, em sete delas a disputa foi decidida já no primeiro, com um candidato vencendo com pelo menos 50% mais um dos votos válidos.

Em Rio Preto, a disputa reflete diretamente a briga entre tucanos e petistas pelo controle das principais cidades do Estado, já de olho no pleito para a presidência da República e o governo paulista em 2010, o que também acontece em Bauru nas divisões dos grupos políticos em apoios e coligações nesta etapa.

Se o PT vencer a disputa deste domingo em Rio Preto e Bauru, vai equilibrar o jogo de forças com o PSDB nas principais cidades paulistas. Inclusive geograficamente. Dos municípios com mais de 200 mil eleitores, os petistas venceram em três, todos na Grande São Paulo (Carapicuíba, Osasco e Diadema). Já os tucanos levaram cinco, todas cidades interioranas: Sorocaba, Piracicaba, Jundiaí, São José dos Campos e Franca. Mas, se perder nas duas, os petistas verão a ampliação dos espaço tucanos nas maiores cidades do Estado.

A corrida em Rio Preto começou com Valdomiro Lopes (PSB) como favorito. Em junho, o candidato e deputado estadual chegou a ter 56% das intenções de voto na pesquisa Vox Populi, o que lhe daria a vitória no primeiro turno. A partir do início da propaganda no rádio e na TV, Valdomiro caiu nas pesquisas. Mesmo assim, venceu o primeiro turno com 40,02% dos votos válidos, 23,8 mil a mais do que João Paulo Rillo (PT), que ficou com 28,91%.

A polarização entre PT e PSDB também será levada às urnas neste domingo na disputa pela Prefeitura de Bauru. De um lado está o empresário Caio Coube (PSDB), que tem como vice José Clemente Rezende (DEM). Do outro, o ambientalista Rodrigo Agostinho (PMDB), que tem como vice a petista Estela Almagro.

O confronto entre as duas legendas vem ocorrendo desde o início da campanha. Uma das estratégias utilizadas por Caio foi colar sua imagem à do governador José Serra, ao deputado estadual Pedro Tobias (PSDB), que tem base política em Bauru, além de secretários e parlamentares.

Já Rodrigo buscou lançar sua candidatura com o apoio de partidos da base de sustentação de Luiz Inácio Lula da Silva, com depoimentos do próprio presidente na TV a ser favor. O peemedebista recebeu o apoio de ministros e deputados. Até este ponto, as semelhanças políticas entre as duas eleições existem. Mas, em Bauru, outro ingrediente bastante utilizado foi a privatização.

Segundo turno

Tanto em Bauru quanto em Rio Preto a liderança registrada no primeiro turno trocou de mãos na segunda etapa. Por aqui, Rodrigo é quem passou a dianteira, com Caio tentando retomar sua posição nas duas últimas semanas.

Em Rio Preto, o petista Rillo, que teve uma disputa acirrada com Orlando Bolçone (PPS) pelo segundo lugar no primeiro turno (venceu por uma diferença de 7,8 mil votos), subiu nas pesquisas, e hoje lidera a corrida pela Prefeitura, com 44% das intenções de voto, contra 39% de Valdomiro, segundo a pesquisa Diário/Vox Populi.

Na reta final da campanha, Rillo aposta no apoio maciço da cúpula nacional e estadual do PT. Gravou vídeo com o presidente Lula em São Paulo e recebeu a visita de petistas ilustres como a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, que esteve ontem em Rio Preto, do presidente nacional do partido, Ricardo Berzoini, do presidente da Câmara Federal, Arlindo Chinaglia, e dos senadores Aloizio Mercadante e Eduardo Suplicy. Em Bauru, para registrar, não é diferente com Rodrigo Agostinho (PMDB) aliado aos petistas.

Já o adversário tucano rio-pretense, Valdomiro, que se vale da aliança com o governador José Serra (PSDB) e do chefe da Casa Civil, o também rio-pretense Aloysio Nunes Ferreira, também conta com o apoio da maioria dos figurões da política local. O prefeiturável, que desde o início da campanha, em junho, esteve ao lado dos deputados estaduais Vaz de Lima (PSDB) e Rodrigo Garcia (DEM), ganhou recentemente o apoio do prefeito Edinho Araújo (PPS).

Aliás, a participação do chefe do Executivo na campanha é um diferencial entre Rio Preto e Bauru. Aqui, o prefeito Tuga Angerami disse que não ia tomar posição política. Em Rio Preto, Edinho saiu em apoio ao grupo ligado aos tucanos.

Dos sete candidatos que disputaram o primeiro turno rio-pretense, Rillo levou o apoio declarado de dois: o ex-vereador e ex-secretário de Saúde Cacau Lopes (PV) e o advogado Marcelo Henrique (Psol). Já o ex-secretário de Planejamento Bolçone, seguindo a orientação de Edinho, se aliou a Valdomiro. Jean Dornelas (PMN) e Eloy Gonçalves Júnior (PSC) ficaram neutros.

Nos comícios e na propaganga eleitoral no rádio e na TV, os ataques mútuos foram cada vez mais intensos, principalmente da parte de Valdomiro, que tenta reverter a desvantagem nas pesquisas. Enquanto Rillo chama o adversário de malufista e arrogante, o deputado bate na inexperiência política do petista, atual vereador na cidade, e relembra o episódio do mensalão.

Rio Preto tem 276.943 eleitores e Bauru 233.654. Por lá, no primeiro turno as urnas apontaram Valdomiro Lopes (PSB) com 85.752, ou 40,02% dos votos e João Paulo Rillo (PT) ficou 61.943, ou 28,91%. Orlando Bolçone (PPS) ficou em terceiro com 54.117 (25,26%).

A disputa para a Prefeitura de Bauru contou com seis candidatos inicialmente, sendo que Caio recebeu das urnas 40,39% dos votos (71.920), Rodrigo obteve 32,25% (57.431) e Clodoaldo Gazzetta (PV) ficou em terceiro com 16,9% (30.102). Com um colégio de 233.653 eleitores distribuídos em 546 seções e sem que um dos candidatos obtivesse mais da metade dos votos válidos, Bauru conhecerá seu prefeito no domingo 26, o qual vai substituir o atual, Tuga Angerami (sem partido).

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