O senador Aloizio Mercadante (PT) disse ontem, em Bauru, durante visita de apoio à campanha de Rodrigo Agostinho (PMDB) e Estela Almagro (PT), que o governo federal acertou em medidas como a liberação de parte dos empréstimos compulsórios mantidos pelas instituições no Banco Central (BC) e na regra provisória (MP) editada pelo presidente Lula que permite ao Banco do Brasil (BB) e Caixa Econômica Federal (CEF) comprar ações de bancos privados em dificuldades para evitar quebradeira.
Ele concorda que os efeitos da crise mundial provocados por causa do descontrole nas operações norte-americanas, sobretudo de hipotecas imobiliárias, não será imediato. Entretanto, Mercadante reforçou o discurso vindo de técnicos do governo de que o País conta com colchão de indicadores econômicos e financeiros que garantem passar pela tempestade sem que ocorram catástrofes.
“O Brasil tem linhas de defesa muito sólidas, como mais de US$ 200 bilhões de reservas cambiais. Pela primeira vez na história não estamos vulneráveis do ponto de vista das contas externas. Nós temos mais de R$ 259 bilhões de reservas em Reais em depósitos compulsórios bancários, que é cinco vezes maior que nos EUA. Temos depósitos compulsórios de 50%, União Européia 2% e EUA 10% e outros países nem tem, com Inglaterra e Argentina. Isso na crise é moeda em Real, porque faltam linhas de financiamento internacional e o BC tem de dar mais liquidez e tem de onde retirar isso, liberando parte dos compulsórios e sem riscos”, avaliou o senador.
Mas o petista também acredita que colaboram para o cenário animador de enfrentamento da crise o fato de que nove bancos contam com 76% dos créditos e 77% dos ativos bancários e 34% do sistema financeiro é formado por BNDES, BB e CEF. Com isso, Mercadante considera que o governo acertou com a Medida Provisória que permite a esses bancos “estatizarem” outros de menor porte, adquirindo ativos nesta etapa de quem está em dificuldades.
“Os bancos públicos agora terão papel muito importante de manter o crédito, estimular os bancos privados a ter uma atitude mais pró-ativa neste momento de retração dos financiamentos e de mais insegurança. A dívida pública melhora na crise, porque ela cai porque não está indexada ao dólar. Nesse aspecto o efeito é bom e caiu de 39% do PIB para 35% do PIB, o que dá mais margem fiscal ao governo do que antes, mais recursos disponíveis”, acrescentou.
Ele acredita que devam correr incorporações de bancos menores por conglomerados maiores e que alguns dos pequenos tenham suas carteiras, ou parte delas, adquiridas pelo BB e CEF, o que vai proteger o sistema nesta etapa.
“A saída na crise, como em 1929, está no Estado, que estimula investimentos e mantém créditos, o Estado que sustenta o investimento. Temos de diminuir os gastos correntes e manter os investimentos. E o governo federal vai manter o PAC para não deixar que setores importantes sofram retração. A economia vai continuar crescendo, embora abaixo dos 6% ou um pouco mais pensados antes da crise. Mas vai crescer”, abordou Mercadante.
Para os pequenos bancos com problemas de liquidez, o governo liberou R$ 80 bilhões dos compulsórios para ajudar e o BB e a CEF “terão de ter posição ofensiva no mercado, porque o Brasil está muito bem posicionado e deve sair na frente na retomada dos investimentos. Temos setores como matéria-prima, minérios, alimentos, em patamar muito bom e isso não vai mudar”, salientou.