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SUS cuida da estética de portador de HIV

Gabriel Ottoboni
| Tempo de leitura: 3 min

Embora ainda não haja cura para a aids, a medicina avança no sentido de melhorar a qualidade de vida dos portadores do vírus HIV. A rede pública de saúde já oferece tratamento para corrigir deformidadas no corpo, como na face, que surgem em pacientes que usam o coquetel contra a aids. Em Bauru, o Hospital Estadual (HE) tem atendido, em média, 10 pacientes por mês.

O tratamento é à base de polimetilmetacrilato, substância derivada do petróleo empregada na medicina estética e reparadora e que preenche áreas do corpo onde o paciente perdeu gordura. O problema estético, muitas vezes, leva o portador de HIV a um quadro de baixa auto-estima a até a desenvolver depressão, o que aumenta as chances dele abandonar o tratamento contra a doença, explica o cirurgião-plástico Aristides Augusto Palhares Neto, que atua no HE.

Ele é um dos seis médicos treinados pela rede estadual de saúde para a realizar o preenchimento facial com o polimetilmetacrilato. O produto – micro esferas de acrílico injetadas profundamente sob e pele – preenche a área onde houve perda de gordura. “Injetamos uma determinada quantidade do produto, que varia muito para cada pessoa, devolvendo à face um aspecto mais saudável. Através deste tratamento, controlamos o efeito colateral da doença”, frisa.

A aplicação é feita de acordo com a necessidade do paciente. Em alguns casos, é necessária mais de uma aplicação para chegar ao resultado que o paciente fique bem e feliz com sua estética. Depois de introduzido, o produto não pode ser mais retirado do corpo, alerta o médico.

A aplicação é relativamente fácil. Leva apenas 20 minutos e não há riscos de desencadear alergia no paciente. Apenas produz um leve inchaço no local da aplicação, que pode durar até cinco dias. Segundo Palhares, a satisfação dos pacientes é grande. “Em todos os casos, até o momento, eles ficaram extremamente contentes”, frisa.

Mas o cirurgião plástico pondera que ainda há dúvida de como o polimetilmetacrilato irá se comportar ao longo dos anos. “Quando se coloca um produto no organismo, podem haver reações muito tardias. Teremos que esperar ainda mais alguns anos para saber se teremos complicações que mereçam ser notadas”.

Demanda

Sub-utlizado. É desta forma que se encontra atualmente o ambulatório do HE destinado ao tratamento estético dos portadores do vírus HIV. Apesar da unidade hospitalar atender a população de toda a área da Direção Regional de Saúde-6 (DRS-6), que abrange 68 municípios, o volume de pacientes é considerado pequeno. “Era de se esperar que tivéssemos um número de pacientes, se não grande, no mínimo constante”, afirma o cirurgião.

A capacidade do HE é para atender até 20 pessoas por mês, mas a demanda é bem menor. Nesta semana, por exemplo, não havia nenhum paciente esperando por atendimento. Em Botucatu, onde Palhares também atua, são realizados de quatro a seis atendimentos todos os meses.

“Temos capacidade técnica, disponibilidade de medicamento e toda a infra-estrutura montada e não temos o paciente para atender”. Ele acredita que há demanda reprimida. “Os pacientes devem procurar os infectologistas que os acompanham para que eles possam fazer o encaminhamento”, orienta.

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Custos

A aplicação de polimetilmetacrilato pela rede pública de saúde em portadores de HIV foi autorizada pelo Ministério da Saúde em 2005, através da portaria 375. De acordo com o documento, a dose de 20 mililitros custa R$ 400,00 ao Sistema Único de Saúde (SUS), que paga todo o tratamento. A substância está dentro da tabela de órteses, próteses e outros materiais especiais da Secretaria de Atenção à Saúde (SAS).

O produto também é aplicado em próteses dentais, implante nas costelas e serve como reparo em cirurgias cranio-faciais. O Brasil é o primeiro país a oferecer gratuitamente procedimentos reparadores para doentes de aids que sofrem com deformidades no corpo, doença denominada lipodistrofia e que atinge apenas quem utiliza medicamento retro-virais.

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