Encerra-se, no Vaticano, neste dia 26 de outubro, o Sínodo dos Bispos iniciado no passado 05 de Outubro na Basílica de São Paulo Fora dos Muros, onde se encontram os restos mortais do grande apóstolo das gentes cujos 2.000 anos do nascimento a Igreja está celebrando. Foi convocado por Bento XVI, tendo como tema: “A Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja”. Esse tema está sendo estudado e aprofundado por 253 Bispos Sinodais (51 da África, 62 das Américas, 41 da Ásia, 90 da Europa, e 9 da Oceania), juntamente com numerosos exegetas, liturgistas, homens e mulheres, assim como delegados da Igreja Ortodoxa e de diversas Denominações Cristãs e vários convidados. Um encontro eclesial de acentuado cunho ecumênico.
Trata-se de um organismo instituído por Paulo VI que vem se reunindo periodicamente, tratando de temas para o “aggiornamento” (atualização) religioso e social da Igreja. O objetivo desse Sínodo é procurar redescobrir a Palavra de Deus no seu aspecto cristólogico e como ação do Espírito Santo, propiciando uma renovação, uma nova primavera para o rejuvenescimento dinâmico da Igreja.
A modernidade se caracteriza como era da palavra, sobretudo impressa, televisada e computadorizada que invade os olhos, os ouvidos, as mentes e os corações. Uma torrente de palavras que nem sempre constroem, que tantas vezes são danosas, decepcionam e frustram as pessoas. Palavras que quase sempre se diluem e se desfazem no inexorável fluir do tempo. Nesse contexto da palavra humana, vem esse Sínodo convidar os cristãos a amar a Palavra de Deus, a refletir sobre o valor dessa Palavra que é a única base segura e indestrutível para a vida da Igreja e da própria humanidade. Palavra que permanece eternamente, sempre viva, eficaz e transformadora das pessoas e das realidades humanas.
O Sínodo está lembrando que a Palavra de Deus deve ser lida e ouvida na fé da Comunidade Eclesial e não de maneira subjetiva, personalista e fundamentalista. Deve ser lida com docilidade ao Espírito Santo que inspirou os escritores sagrados e conduz a Igreja. Deve não só ser lida e ouvida, mas meditada, interiorizada e sobretudo rezada.
O Sínodo vem insistindo muito na “lectio divina” (leitura divina) que é a Palavra de Deus que se torna verdadeira escola de oração e contemplação, substancioso alimento para o crescimento na vida cristã. O Sínodo adverte que o Cristianismo não é religião do livro mas da Palavra de Deus encarnada em Jesus Cristo. O culto é da Palavra que deve ser venerada e não do livro (ou bíblia=livros) que obviamente merece nosso respeito. O Sínodo acentua que é de suma importância compreender corretamente a relação entre Tradição e Escritura que constituem um único depósito da Palavra de Deus. “Ao magistério da Igreja que não é superior à Palavra de Deus, compete a tarefa de interpretar de maneira genuína a Palavra tanto escrita como transmitida.”
Tarefa da Igreja é a reta interpretação da Palavra de Deus, “evitando os riscos de interpretações subjetivistas e arbitrárias, como o fundamentalismo, as leituras ideológicas ou puramente humanas, desprovidas do fundamento da fé.” A Palavra edifica a Igreja, orienta e alimenta sua vida litúrgica, evangelizadora e catequética, assim como sua atuação social. A Palavra de Deus deve ser a alma e a inspiração da Sagrada Teologia.
A Palavra de Deus impele e sustenta a Igreja na sua missão de anunciar o Evangelho, a boa nova que é o próprio Cristo. Evangelizar é a graça própria da Igreja. A Palavra de Deus vivida supera as divisões, conduz ao ecumenismo e ao diálogo com religiões não cristãs e com toda forma de cultura. A Palavra de Deus conduz à comunhão e à unidade. Bento XVI falando aos peregrinos explicou a etimologia da palavra grega Sínodo que significa; “fazer caminhos juntos”.
“Fazer caminhos juntos” deve ser um ideal de todos os cristãos, de todos que sonham com um mundo novo, justo, solidário e fraterno que certamente é possível sobretudo pela força da Palavra de Deus.
O autor, Frei Lourenço Maria Papin, é colaborador de Opinião