Política

Caio inicia debate com crítica e Rodrigo reage

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 4 min

O tucano Caio Coube (PSDB) procurou perguntas mais incisivas contra seu adversário, Rodrigo Agostinho (PMDB), no último debate da segunda eleição em dois turnos de Bauru, ontem à noite, na TV TEM. Mas, apesar das críticas, tanto Caio quanto Rodrigo buscaram posturas mais cautelosas diante das câmeras, sem alterar o tom de voz mesmo nas questões mais picantes.

Rodrigo não adotou postura passiva diante das críticas e contra-atacou Caio no campo político, não sem antes pontuar que, em sua visão, o empresário partiu para questões pessoais. Logo na abertura do programa, Caio indicou que buscaria ser mais contundente contra o peemedebista: “O senhor tem entre os apoiadores o ex-prefeito Nilson Costa e João Herrmann, além do PT, políticos experientes. Quem vai mandar em seu governo?, disparou.

Agostinho tentou evitar a provocação e disse que o prefeito é quem vai governar, mas argumentou que terá secretariado técnico, com jogo de cintura político e qualificação. O tucano insistiu que “figuras velhas da política apoiam Rodrigo, que é ligado a Tuga. Mas no comentário, Rodrigo devolveu que “Caio tem o Clemente, homem de confiança do Tuga, ao seu lado, além de secretários do prefeito e o ex-chefe de Gabinete, Paulo Sérgio Canalli. Onde o adversário quer chegar”, ironizou o peemedebista.

Enquanto nas ruas a campanha tomou proporções de ataques por panfletos e um festival de e-mails provocativos e com conteúdos agressivos, na frente da TV, Caio e Rodrigo mantiveram a compostura, apesar das alfinetadas. Rodrigo procurou defeitos nas propostas de Caio ao formular perguntas. Ele fez isso quando disse que o tucano não vai utilizar a Cohab para construir moradias, mas “apenas para gerenciar contratos” e criticou que Caio vai terceirizar a merenda enquanto ele prefere o serviço nas mãos do setor público.

Coube voltou à carga perguntando por que Rodrigo omitiu informação junto à OAB de que exercia função pública, quando se inscreveu para obter a carteira da entidade. Agostinho reagiu que o “adversário está desesperado e parte para questões pessoais. Como secretário eu não poderia advogar e eu quero ser prefeito. Quando quiser advogar vou regularizar as informações”.

O candidato do PSDB voltou a provocar que “omitir informação para ter vantagem pessoal não é correto”. Rodrigo prometeu processar quem fez a denúncia junto à Polícia Federal e disse: “não tenho sangue de barata”. Ele ainda rebateu que o comitê tucano distribuiu e-mails falsos e folhetos apreendidos pela polícia ontem.

Variações do confronto

Os candidatos ainda debateram sobre o aproveitamento da estação ferroviária, a promessa de não criar novas taxas e a municipalização do ensino. Quanto à estação e as taxas, os adversários foram iguais. Mas eles divergiram ao avaliar os serviços de Saúde realizados pelo Samu. Caio disse que a estrutura funciona bem, Rodrigo comentou que há problemas.

O tucano seguiu a estratégia de colocar à prova eventuais temas indigestos a Rodrigo, ao retomar que há especulação de que o peemedebista deixaria a prefeitura em dois anos para tentar, novamente, ser deputado federal. Agostinho, desta vez, não se limitou a negar a especulação política. Ele contra-atacou que “quem faz isso de deixar mandato para disputar outra eleição é o PSDB. O governador Serra fez isso em São Paulo”, disparou.

A popularidade do deputado estadual Pedro Tobias (PSDB), o segundo mais votado à Assembléia Legislativa paulista, foi aproveitada por Caio Coube em várias citações. Neste campo, Rodrigo não fez cerimônia e reconheceu que Tobias tem “atuado bem”. Agostinho encerrou a campanha sem buscar qualquer crítica contra o adversário a partir de atuações ou posturas de Tobias. A avaliação da campanha de Rodrigo foi a de que não era positivo criticar quem tem popularidade em Bauru.

Agostinho só foi mais enfático contra Caio ao criticar que o vice na chapa do tucano, Clemente Rezende (DEM), perfurou a adutora que serve à zona Sul, criando uma “sangria, um gato na rede só para favorecer um condomínio”. Caio derivou sua resposta para o “desafio de ampliar o reservatório do DAE”. Agostinho ampliou, na réplica, que Clemente agiu em privilégio ao condomínio, ao invés de exigir a perfuração de um poço para não prejudicar o abastecimento na região.

Os vices, aliás, ainda renderam outro capítulo do último debate da eleição municipal em 2008. Rodrigo criticou que Caio escondeu seu vice na campanha e Coube retrucou que Estela apareceu mais que o adversário na TV, “o que é anormal”. Depois, o empresário disse que Clemente será seu “auxiliar, um conselheiro” se ele se eleger. Rodrigo, ao contrário, afirmou que Estela vai ser o elo com o governo federal, no “trânsito político” com deputados e ministros na busca de recursos.

Na despedida no debate, Caio Coube pediu uma oportunidade para resolver os problemas da cidade e Rodrigo Agostinho disse que tem o sonho de ser prefeito para mudar a cidade.

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