Se a noite era “Novas Raves”, a moda e o hype dessa tal “new rave” parecem mesmo ter ficado no passado. O que sobrou estava nas galochas coloridas – apropriadíssimas para noite de temporal na Capital -, nas camisetas superestampadas e no que sobrou das cores fluorescentes do revival dos anos 80. Ainda assim, o Klaxons defende-se, em seu rock indie punk e eletrônico, como nome principal dessa cena.
Na segunda noite pop na Arena de Eventos do TIM Festival 2008, a banda britânica foi a atração principal após o cancelamento do Gossip. Com cerca de 2 mil pessoas na platéia (metade da capacidade do espaço), eles mostraram como se faz o que se pode chamar de verdadeira música do século 21: com peso, dançante, divertida, debochada, colorida.
Com apenas um álbum em seu currículo, “Myths of the Near Future”, de 2007, o Klaxons deu aos fãs o que eles queriam e tocaram, com o devido peso, como se todas as músicas fossem grandes sucessos. O show foi aberto com “Bouncer”, seguida de “Atlantis to Interzone Totem”, em versão ainda mais animada e cheia de sirenes do que em disco.
Jamie Reynolds (voz e baixo), James Righton (voz e teclado), Simon Taylor (guitarra) e Steffan Halperin (bateria) seguiram com “Totem on the Timeline”, com graves balançando a arena e fazendo o público pular. Depois do verdadeiro hit “Golden Skans”, a banda mostrou uma inédita, “Moonhead”, para seguir com “As Above So Below” e “Two Receivers”, com os falsetes de Jamie Reynolds.
Depois de “Calm Trees”, “Gravity’s Rainbow” e o hino indie “Isle of Her”, a banda voltou para um bis com “It’s Not Over Yet” e “Four Horsemen of 2012”, nesta última com participação do rapper gorducho Har Mar Superstar, que havia se apresentado com o Neon Neon, na abertura da noite.
Neon com pouca bateria
O Neon Neon - projeto do líder do Super Furry Animals, Gruff Rhys, e o produtor Boom Bip - foi correto como seu álbum de estréia, “Stainless Style”, lançado há pouco tempo. Os dois são uma brincadeira com a vida de John DeLorean, o criador do carro modernoso da série “De Volta para o Futuro”.
Abrindo a noite “Novas Raves” com pouco público na arena, eles seguiram a ordem do disco, com a instrumental “Neon Theme”, “Dream Cars”, “I Told Her on Alderaan” e “Raquel”, enquanto os telões mostravam imagens da atriz Raquel Welch. A cantora Cate Le Bon, que participou do disco, vem excursionando com a banda e cantou a gostosinha “I Lust U”.
Na segunda parte do curto show, surgiu Har Mar Superstar (na verdade, Sean Tillman), gorducho, meio Homer Simpson, com luvas de paetês amarelas e bata transparente. Enquanto saracoteava pelo palco, ele cantou “Trick for Treat” e acompanhou a voz doce de Rhys em “Michael Douglas” e na sacaninha “Sweat Shop”.
A participação do Neon Neon no TIM Festival 2008 foi encerrada com “Stainless Style”, na qual a banda se arriscou numa batucada que seguiu para um pancadão techno. Entre as músicas, Boom Bip soltava “obrigados” e “valeu, galera” pré-gravados. Com a arena bem vazia, havia espaço para dançar e o público seguiu a banda, em sua proposta de um certo revival cafona dos anos 80, enquanto conseguiu.
O jornalista viajou a convite da organização do evento