Os especialistas são unânimes em afirmar que os ganhos obtidos pelos portadores da síndrome de Down são notáveis. E a melhora na sobrevida e na qualidade de vida desse grupo só foi possível graças ao avanço dos diagnósticos e tratamentos.
O maior conhecimento sobre as doenças associadas à síndrome permitiu que cardiopatias, problemas respiratórios, motores, visuais e auditivos fossem tratados precocemente. Ao longo dos anos, técnicas de fisioterapia e fonoaudiologia também foram aprimoradas especificamente para atender este grupo de pacientes.
“Essa rede de benefícios, além de melhorar a saúde dos Downs como nunca, também proporcionou a eles grandes oportunidades de inclusão social”, analisa Cátia Aparecida Cardoso Teixeira, assistente social da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Bauru.
No que se refere à inteligência e escolaridade, as condutas terapêuticas fizeram, também, grandes progressos. Atualmente, muitos portadores são alfabetizados e inseridos no mercado de trabalho.
Conforme Cátia, essas conquistas dependem, principalmente, de condições familiares propícias, de tratamento precoce e adequado e das oportunidades oferecidas pela sociedade em que vivem os Downs.
“Tivemos grandes avanços científicos, mas ainda falta às famílias e à sociedade conhecerem mais sobre a síndrome, as pessoas saberem que os deficientes têm todas as condições de amadurecer, viver e realizar atividades comuns às pessoas ditas normais”, frisa.
‘Depósito’
De um simples ‘depósito’ de crianças com a síndrome ou outras deficiências mentais nos anos passados, entidades como a Apae se tornaram centros de terapia, estimulação e até reabilitação dos deficientes, com o trabalho de equipes multidisciplinares. Hoje, os tratamentos são capazes até de prevenir o desenvolvimento de alguns tipos de atraso mental.
Embora a síndrome seja irreversível, os estímulos na fala e coordenação motora desde bebês permitem, em muitos casos, que as crianças especiais possam freqüentar escolas comuns como qualquer outra.
A Apae de Bauru, por exemplo, atende cerca de 100 portadores da síndrome de Down, que recebem apoio de fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicológos, assistentes sociais, nutricionistas, pedagogos e terapeutas ocupacionais, entre outros.
Os Downs com nível de desenvolvimento intelectual mais comprometido freqüentam escola especial dentro da entidade, além de participarem de atividades complementares, como teatro, dança, música, hidroterapia e artesanato. Já os portadores aptos a freqüentarem uma escola comum podem ter acesso ao mercado de trabalho através da Centro Profissionalizante da Apae, que já ofereceu capacitação profissional a mais de 200 deficientes em 10 anos de funcionamento.
“Existem níveis de comprometimento cognitivo bastante distintos e os casos graves ainda precisam de um acompanhamento mais sistemático e direcionado. Mas hoje temos portadores da síndrome que estão conquistando espaços que antes ninguém imaginava”, avalia a psicóloga Priscila Foger Marques Gasparini.