Se o horário de verão, que é apenas uma hora de diferença, já mexe com o organismo, imagina o tamanho da confusão biológica quando se viaja para países distantes como os da Europa, África, Oceania, Ásia e em alguns pontos da América do Norte.
Em 2006, o publicitário Ederly Pinheiro Chagas, 54 anos, foi para a Tailândia, onde o fuso horário é de nove horas de diferença. “A adaptação foi muito complicada”, relata ele. Ederly conta que no primeiro dia acordou por volta das 2 horas da madrugada e não conseguiu mais dormir.
Como tinha um dia cheio de compromissos, quando chegou na noite seguinte, ele estava tão cansado que não teve problemas para pegar no sono. Aos poucos, foi ajustando seu relógio biológico ao horário local. A alimentação, segundo o publicitário, foi outro problema. Na hora em que todos iam para a mesa, ele não tinha fome. Quando a fome chegava, não era hora de comer. Ele diz ter levado cerca de uma semana para se adaptar inteiramente à mudança.
No ano passado, Ederly viajou duas vezes para Portugal e uma vez para a Itália e Argentina. Antes, já havia viajado para a Suécia e chegou a morar na Inglaterra por dois anos. Segundo ele, a adaptação na Suécia e na Inglaterra foram mais difíceis porque, dependendo a época do ano, amanhece por volta das 9h ou 10h e escurece entre 14h e 15h30. “Isso afeta muito o lado emocional e o humor, porque não estamos acostumados com isso”, conta.
O irmão de Ederly, o engenheiro e missionário Abílio Pinheiro Chagas, 56 anos, é outro que viaja todos os anos para a Europa, especialmente para Portugal, onde o fuso horário chega a quatro horas de diferença em relação ao Brasil.
Segundo ele, são quase 14 anos viajando e ainda assim sente desconforto a cada mudança. A forma que ele encontrou para se livrar o mais rápido possível do mal-estar, também conhecido como “jet lag”, é forçar o organismo comendo e dormindo fora de hora. “Eu descobri que se não forçar meu organismo demora mais para entrar no ritmo do país onde estou.”
Na opinião dele, acostumar com diferença de temperatura é mais difícil do que com a diferença de horário. Principalmente, quando deixa Bauru com uma temperatura na casa dos 30 graus e vai para países onde o termômetro marca algo próximo a 0 grau.
A empresária de turismo Célia Regina Pedroso, 52 anos, concorda. Ela também considera a adaptação mais difícil no inverno. “Não estamos acostumados com um frio rigoroso”, justifica. Faz 30 anos que Célia viaja para o Exterior. E toda vez é a mesma coisa. “A viagem, por si, já é estressante. Você não consegue relaxar durante o vôo. Até chegar ao local de destino, às vezes, leva 24 horas. Quando chega você está cerca de cinco horas a mais ou a menos do que está acostumado. O organismo sente muito. Tem gente que tem depressão, náusea e dificuldade para dormir. Tudo isso altera o comportamento das pessoas”, relata.
Segundo ela, todos sentem a mudança, seja criança, jovem, adulto ou idoso. Uns mais, outros menos, mas todos são afetados. Célia diz que geralmente as viagens mais longas duram cerca de 15 dias, ou seja, dá tempo para a adaptação. O problema é que quando o relógio biológico já está ajustado é hora de voltar.
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Viagra ajusta relógio biológico
Estudo feito por cientistas da Universidade Nacional de Quilmes, na Argentinas, descobriu uma nova função para o afrodisíaco Viagra: amenizar o mal-estar provocado pela mudança de fuso horário, também conhecido como “jet lag”. O desconforto é comum em pessoas que viajam para outros continentes.
Testes feitos em hamsters mostram que o Viagra ajuda na adaptação às mudanças de horário. Dependendo da dose empregada, os roedores se recuperaram do “jet lag” artificial até 50% mais rápido do que os hamters que não receberam a medicação. Mesmo o grupo que recebeu uma dose menor, a recuperação do mal-estar foi 35% mais rápida.
O princípio ativo do Viagra interfere no funcionamento da substância reguladora do relógio biológico.
Os hamster de laboratório tiveram seu ciclo de dia e noite adiantado em seis horas. Naqueles em que foi ministrado o Viagra, a equipe constatou que o descontrole foi menor em comparação aos que não receberam nenhum medicamento.