JC Criança

O Dia das Bruxas está aí

Dayran Carvalho
| Tempo de leitura: 6 min

O Halloween (Dia das Bruxas) está aí e promete muitos sustos, travessuras e gostosuras para aqueles que são adeptos da festa e adoram participar. Elementos relacionados à comemoração importada dos Estados Unidos, local onde a tradição é muito forte, estão por todos os lados de Bauru, principalmente nas escolas de idiomas. Bruxas, abóboras, fantasias, morcegos e os tons de roxo preto e laranja garantem um clima todo especial.

O JC Criança entrou em contato com uma turminha que já está se preparando para o grande dia, que é 31 de outubro. Como eles estão? A expectativa e a diversão com as fantasias são unanimidade entre os entrevistados. Em clima norte-americano, a resposta veio como um “yes” (sim, em inglês) eufórico para a pergunta relacionada ao tema.

Para Gabriela Alonso, que tem 10 anos e estuda no Yázigi, as fantasias são o que mais chamam a atenção. Vampiros, bruxas, capetinhas, máscaras do pânico e muito mais deixam a comemoração ainda mais recheada de arrepios.

Já para Pâmela Ganacin, de 12 anos, nada substitui os doces. O ritual de travessuras e gostosuras encanta a garotada, mas eles não escondem que preferem as gostosuras e que isso acontece na maior parte das vezes.

Como no Brasil esta tradição não é tão forte, o ritual acaba ficando em meio às salas de escolas de idomas ou festas por elas organizadas. O ritual inclui distribuição de doces e decoração de abóboras.

Gabriela Alonso adora este tipo de festa e considera muito interessante conhecer as culturas de outros países. Para Débora Gelonese, 10 anos, o Halloween deveria ser mais expressivo aqui. “Deveria ser como nos Estados Unidos, onde o pessoal vai de casa em casa”, opina.

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Saiba mais

O Helloween ou Dia das Bruxas é uma festa folclórica/religiosa, que tem seu berço na cultura céltica. Os celtas cultuavam os santos e para celebrar o último dia da colheita céltica, no final do verão, faziam uma festa, explica o professor de inglês Paulo Sérgio.

Segundo ele, uma das lendas é que as pessoas se vestiam com roupas estranhas, criavam um ambiente sombrio por acreditar que os espíritos vagavam pela terra à procura de corpos e para tentar permanecer na face da terra.

Mas, na verdade, os celtas queriam mesmo era espantar os possíveis saqueadores da colheita. Afinal, quem invadiria uma colheita mal assombrada?

Nos Estados Unidos, o Halloween foi trazido pelos irlandeses. Essa mistura de cultura resultou em novos rituais, explorados por todos, inclusive crianças, que se fantasiam e vão às ruas em busca de gostosuras ou travessuras. Com a globalização e a proliferação de escolas de inglês no Brasil, a tradição chegou até aqui.

Paulo Sérgio considera isso muito positivo. “Halloween no Brasil não significa descaracterizar nossa cultura, mas ampliá-la e enriquecê-la. Vejo que isso tem ocorrido com sucesso, e que nosso Halloween pode ser verde e amarelo em sua filosofia”, afirma o professor.

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A turma do Saci

Da mesma maneira que o Halloween é uma expressão cultural forte nos Estados Unidos, no Brasil também existem vários elementos tradicionais que chegam a ser considerados parte do folclore nacional.

Folclore, como se aprende na escola, é um conjunto de crenças, lendas, festas, superstições, artes e costumes de um povo, que é passado de geração a geração por meio dos ensinamentos e da participação em festejos e dos costumes.

A palavra folclore é de origem inglesa, formada pela junção das palavras ‘folk’, que significa povo, e ‘lore’, que significa sabedoria popular. Formou-se então a palavra ‘folclore’ que quer dizer ‘sabedoria do povo’.

É por meio dele que se pode conhecer a antiga cultura dos povos e a formação da cultura presente nos dias de hoje. “Isso tudo é muito legal, pois mantém viva a cultura”, diz a professora de artes e música do Colégio Paraíso, Luciane Romagnoli. Para ela, a cultura de um povo é a sua identidade.

No caso do Brasil, a professora explica que o folclore brasileiro é formado pela união da cultura indígena com as culturas dos povos que para cá vieram: portugueses, holandeses, espanhóis, negros e mais recentemente imigrantes italianos, japoneses, alemães entre outros.

“Todos esses povos vieram trazendo seus costumes, e a união desses costumes originou o folclore brasileiro”, define Luciane, para quem nosso folclore é riquíssimo. “As cantigas de roda, as brincadeiras, a culinária, os ditados populares, os brinquedos, as roupas, as lendas, os mitos, as danças,...tudo isso é parte do folclore”, aponta.

E a professora garante que a garotada adora tratar sobre folclore. “É sempre bom comer um bolo de mandioca quentinho, brincar de pega-pega e de pião, ouvir histórias de lendas antes de dormir, dançar uma ciranda...É uma alegria”, acredita ela.

Por isso, muitos colégios incluem em sua programação aulas e atividades sobre folclore. No Colégio Paraíso, por exemplo, os alunos até se vestiram de saci-pererê. A criançada entrou no clima e adorou. O garoto Gabriel Scarelli até brincou com o cachimbo. Maria Eduarda se encantou com os ensinamentos do livro e Renato Pessoa também quis ter seus momentos de saci.

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Conheça personagens do folclore brasileiro

Saci-Pererê

O Saci-Pererê é uma lenda do folclore brasileiro e originou-se entre as tribos indígenas do sul do Brasil. O saci possui apenas uma perna, usa um gorro vermelho e sempre está com um cachimbo na boca.

Antes era retratado como um curumim endiabrado, com duas pernas, cor morena, além de possuir um rabo típico. Com a influência da mitologia africana, o saci se transformou em um menino negro que perdeu a perna lutando capoeira, herdou o pito, uma espécie de cachimbo, e ganhou da mitologia européia um gorrinho vermelho.

A principal característica do saci é a travessura. Muito brincalhão, ele se diverte com os animais e com as pessoas. Segundo a lenda, está nos redemoinhos de vento e pode ser capturado jogando uma peneira sobre os redemoinhos. Após a captura, deve-se retirar o capuz da criatura para garantir sua obediência e prendê-lo em uma garrafa.

Curupira

O Curupira é um anão de cabelos compridos e vermelhos, cuja característica principal são os pés virados para trás. Ele que protege a floresta e os animais, espantando os caçadores que não respeitam as leis da natureza.

O Curupira solta assovios agudos para assustar e confundir caçadores e lenhadores, além de criar ilusões, até que os malfeitores se percam ou enlouqueçam, no meio da mata. Seus pés virados para trás servem para despistar os caçadores, que ao irem atrás das pegadas vão na direção errada.

Para que isso não aconteça, caçadores e lenhadores costumam suborná-lo com iguarias deixadas em lugares estratégicos. Ele, distraído com tais oferendas, esquece-se de suas artes e deixa de dar suas pistas falsas e chamados enganosos.

Iara

Também conhecida como a “mãe das águas”, Iara é uma personagem do folclore brasileiro. De acordo com a lenda, de origem indígena, Iara é uma sereia (corpo de mulher da cintura para cima e de peixe da cintura para baixo), morena de cabelos negros e olhos castanhos.

A lenda conta que a linda sereia fica nos rios do norte do país, onde costuma viver. Nas pedras das encostas, costuma atrair os homens com seu belo e irresistível canto. As vítimas costumam seguir Iara até o fundo dos rios, local de onde nunca mais voltam.

Os poucos que conseguem voltar acabam ficando loucos em função dos encantamentos da sereia. Neste caso, conta a lenda, somente um ritual realizado por um pajé (chefe religioso indígena, curandeiro) pode livrar o homem do feitiço.

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